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m de leitura Atualizado em 02/03/2022, 11:45

Rússia anuncia tomada de Kherson e mantém ofensiva contra Kharkiv no 7º dia de conflito

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de março de 2022

PATRICIA PAMPLONA
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O sétimo dia da guerra na Ucrânia começou com bombardeios durante a madrugada desta quarta-feira (2) em Kharkiv, segunda maior cidade do país. Ao menos quatro pessoas morreram, e nove ficaram feridas.

Já pela manhã, as tropas russas atacaram a sede da polícia. De acordo com o jornal Pravda, o vice-chefe da Administração Estatal Regional de Kharkiv, Roman Semenukha, disse que um edifício governamental e um imóvel vizinho, onde há uma casa, também foram atingidos. Um incêndio é registrado no local.

Além do Departamento de Polícia, o prédio da Faculdade de Sociologia na Universidade Nacional de Karazin também está em chamas, relatou em mensagem no aplicativo Telegram o assessor do Ministério do Interior, Anton Geraschenko.

Mais cedo, o Exército ucraniano informou que tropas aerotransportadas russas haviam chegado a Kharkiv e atacado um hospital e que combates estavam em curso. "Praticamente não há mais áreas na cidade que não tenham sido impactadas por projéteis de artilharia", afirmou Geraschenko.

Nesta terça, a cidade já havia sido alvo de Moscou, cujos mísseis atingiram áreas residenciais e o prédio da administração local. Até o momento, foram confirmados 21 mortos e 112 feridos em Kharkiv.

O prefeito de Kharkiv, Ihor Terekhov, disse que a cidade não vai se render e que ataques aéreos russos continuam atingindo áreas residenciais. No início da tarde, um míssil de cruzeiro atingiu o prédio do Legislativo municipal, segundo Semenukha.

No sul, o Exército russo reivindicou a tomada de Kherson, cidade portuária de 290 mil habitantes que passou a terça-feira cercada. No sábado (26), tropas do governo de Vladimir Putin chegaram a destruir uma barragem de concreto construída na região para cortar o fornecimento de água à Crimeia.

A Ucrânia havia bloqueado o abastecimento de água doce para a península, feito por meio de um sistema da época soviética que canalizava a água do rio Dnieper, antes de Moscou anexar a região, em 2014.

Nesta quarta, o prefeito Igor Kolikhaiev chegou a anunciar que a cidade, alvo de intensos bombardeios nas últimas horas, continuava sob controle ucraniano. Mais tarde, porém, o porta-voz do Ministério da Defesa, Igor Konashenkov, relatou que as tropas russas tomaram o controle total do centro regional de Kherson.

A guerra de versões segue. O conselheiro do presidente Volodimir Zelenski, Oleksi Arestovich, disse que a cidade não está sob controle russo e que ucranianos seguem defendendo o local. Já Geraschenko compartilhou em rede social vídeo que mostra uma pessoa em roupas civis se aproximando de um tanque com bandeiras ucranianas nas mãos, gritando "glória à Ucrânia!".

Se confirmada a tomada de Kherson, será o primeiro centro de porte razoável que Vladimir Putin terá sob controle desde o início do conflito, na madrugada do dia 24. Com 300 mil habitantes antes da guerra, é o principal ponto ao norte da península da Crimeia, anexada sem conflito pelo presidente russo em 2014.

Com o controle estendido dos separatistas pró-Rússia às áreas históricas do chamado Donbass, faltaria apenas a conquista da região de Mariupol —esta também sob forte bombardeio nas últimas 14 horas e com fornecimento de água interrompido— para estabelecer uma ponte terrestre ligando a Crimeia ao leste russo da Ucrânia.

Em Kiev, a imprensa ucraniana relatou novas explosões durante a madrugada e o prefeito Vitali Klischko alertou que as tropas russas estão cada vez mais perto da capital. "Estamos nos preparando e vamos defender Kiev", escreveu ele, em uma rede social. "Kiev resiste e vai resistir." Também foram registradas explosões em Bila Tserkva, a cerca de 80 km ao sul.

Diante da ofensiva russa, Zelenski diz que Moscou quer apagar o país e tomá-lo com bombas. "Eles não sabem nada sobre Kiev, sobre a nossa história", disse ele em pronunciamento na TV. "Mas todos eles têm ordens para apagar nossa história, apagar nosso país, apagar todos nós."

De acordo com o líder ucraniano, nos primeiros seis dias de conflito cerca de 6.000 russos foram mortos —número difícil de ser verificado, enquanto Moscou não dá informações sobre baixas.

A expectativa desta quarta gira em torno de uma possível segunda rodada de negociações entre Rússia e Ucrânia. Depois de muito vaivém, o governo em Kiev anunciou que irá conversar com a delegação russa que está na Belarus.