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m de leitura Atualizado em 12/03/2022, 19:37

Rússia ameaça atacar envio de armas para a Ucrânia e diz que garantias exigidas antes não valem mais

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sábado, 12 de março de 2022


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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As garantias de segurança exigidas pela Rússia nos meses que precederam a invasão da Ucrânia já não têm mais valor, afirmou neste sábado (12) o vice-ministro russo de Relações Exteriores, Serguei Riabkov.

Enquanto a guerra era apenas uma ameaça, o Kremlin pedia, para não tomar nenhuma ação militar, a garantia de que antigas repúblicas soviéticas como Ucrânia, Geórgia e Moldova não integrariam a Otan e a retirada de tropas da aliança militar de países ex-comunistas, freando a presença nas vizinhanças russas.

"A situação mudou completamente. A questão agora é alcançar a implementação dos objetivos de nossos líderes", disse ele, referindo-se à "desmilitarização" da Ucrânia exigida pelo Kremlin. "Se os americanos estiverem dispostos, podemos, é claro, retomar o diálogo", acrescentou, afirmando que Moscou estava aberta a discutir acordos para limitar os arsenais nucleares. "Tudo depende de Washington", afirmou.

Em entrevista à TV russa, Riabkov disse ainda ter alertado os EUA de que as tropas russas podem atacar o envio de armas para a Ucrânia. "Alertamos que a entrega de armas que estão orquestrando de uma série de países não é apenas um ato perigoso. Transforma, também, esses comboios em alvos legítimos", disse, citando particularmente sistemas de defesa aérea portáteis e sistemas de mísseis antitanque.

Após uma aparente desaceleração da ofensiva russa, o governo da Ucrânia afirmou neste sábado esperar uma nova onda de ataques em Kiev, na cidade de Kharkiv e no Donbass, região na qual estão localizados separatistas pró-Moscou reconhecidos como independentes pelo presidente Vladimir Putin.

A fala de Oleksi Arestovich, conselheiro do chefe de gabinete do líder ucraniano, Volodimir Zelenski, vem acompanhada da aproximação da capital por parte das tropas russas, a 25 km do centro de Kiev, além de cerco e bombardeio a diversas outras cidades, de acordo com o Ministério da Defesa do Reino Unido.

A vice-primeira-ministra da Ucrânia, Irina Verechtchuk, disse ter a expectativa de que corredores humanitários fossem abertos neste sábado para viabilizar a saída de milhares de habitantes de locais atacados, como os arredores de Kiev e as cidades de Sumi e Mariupol, onde, segundo a chancelaria ucraniana, uma mesquita com mais de 80 adultos e crianças teria sido bombardeada neste sábado.

"A mesquita do sultão Suleiman, o Magnífico, e de sua esposa Roxolana (Hurrém Sultana) em Mariupol foi bombardeada por invasores russos", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia no Twitter, sem especificar se havia mortos ou feridos no local. Moscou nega atacar áreas civis, e o Ministério das Relações Exteriores da Turquia disse à agência de notícias AFP que não tinha informações sobre o caso.

O presidente da associação da mesquita do sultão Soliman, Ismail Hacioglu, no entanto, desmentiu a afirmação feita pelo governo e negou que o local, que de acordo com ele abrigava 30 cidadãos turcos, tenha sido atingido. Segundo ele, a associação tentou retirar o grupo em quatro ocasiões, sem sucesso. Um dos envolvidos nas operações de saída também desmentiu as declarações do ministério ucraniano.

Embora Verechtchuk tenha expressado a esperança de que habitantes conseguissem deixar as áreas atingidas, o governador da região de Kiev disse que os combates e as ameaças de ataques aéreos russos continuaram durante as tentativas de retirada, e o governador da região de Donetsk, no leste, afirmou que os bombardeios constantes estão dificultando a chegada de ajuda a Mariupol. Ainda assim, disse a vice-primeira-ministra, 13 mil ucranianos conseguiram ser retirados de diversas cidades neste sábado.

Ao menos 1.582 civis foram mortos na cidade portuária, de acordo com a prefeitura local, resultado dos ataques e de um bloqueio que já dura 12 dias —a cifra informada não pôde ser verificada de maneira independente. Na última atualização feita pelo braço da ONU para direitos humanos, nesta sexta, desde o início da invasão russa 564 mortes de civis foram confirmadas em todo o país, incluindo 41 crianças.

Neste sábado, a ONU afirmou que as pessoas na cidade estão desesperadas. "Há relatos de saques e confrontos violentos entre civis sobre os poucos suprimentos básicos que restam", disse o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários. "Remédios para doenças potencialmente fatais estão se esgotando rapidamente, os hospitais estão funcionando parcialmente e comida e água estão em falta".

Sirenes de ataques aéreos soaram em muitas cidades na manhã deste sábado, pedindo às pessoas que procurassem abrigos, após Zelenski dizer que a guerra havia atingido um "ponto de virada estratégico".

Esforços para isolar a Rússia economicamente se intensificaram, com os Estados Unidos impondo novas sanções contra funcionários de alto escalão do Kremlin e oligarcas russos e a União Europeia prestes a anunciar o fim do status privilegiado de comércio com o país comandado por Putin.

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o premiê alemão, Olaf Scholz, telefonaram ao líder russo para discutir a guerra na Ucrânia mais uma vez neste sábado, um dia após a cúpula europeia em Versalhes, e pediram um cessar-fogo imediato, segundo divulgado pelo governo da Alemanha. A Presidência da França, porém, afirmou que Putin "não demonstrou desejo de acabar a guerra".

O Kremlin, por sua vez, afirmou que o presidente russo informou os colegas "o estado das negociações" e "respondeu às preocupação sobre a situação humanitária". Os três líderes já haviam falado por telefone na quinta-feira. Macron, que foi recebido em Moscou em 7 de fevereiro, já entrou em contato nove vezes por telefone com Putin, segundo o Palácio do Eliseu.

Zelenski afirmou que também falou com os líderes europeus neste sábado e que pediu a eles que pressionem pela libertação do prefeito da cidade de Melitopol, supostamente sequestrado, de acordo com o governo ucraniano, por forças russas na sexta-feira.

CERCO A KIEV

Os bombardeios continuam em diversas cidades, e imagens de satélite mostram as tropas russas se aproximando de Kiev. Segundo a empresa americana Maxar, que fornece as imagens, houve disparo de artilharia em áreas residenciais, como em Moschun, onde casas e prédios estavam em chamas.

Ataques com foguetes russos também destruíram, na manhã deste sábado, uma base aérea ucraniana e atingiram um depósito de munição perto da cidade de Vasilkiv, próxima à capital, segundo a agência Interfax, que citou a prefeita Natalia Balasinovitch.

Na sexta, um bombardeio sobre a cidade de Mikolaiv, no sul do país, próximo a Odessa, atingiu dois hospitais —um centro de tratamento de câncer e um centro oftalmológico—, além de áreas residenciais e centros comerciais. "Passamos a noite inteira no porão, tudo estava tremendo, os pacientes estavam apavorados", disse a diretora do hospital oftalmológico, Kasimira Rilkova.

No hospital voltado para tratamento de câncer, no qual pacientes recebem quimioterapia, as janelas foram quebradas, mas não havia pacientes ou cuidadores no local. "Atiraram em áreas civis, sem alvos militares. Aqui há um hospital, um orfanato", disse Dmitri Lagotshev, chefe do hospital.

Desde o início da guerra, que o Kremlin quer que os russos chamem de "operação militar especial", sob risco de pena de prisão de 15 anos por afirmações consideradas fake news contra as Forças Armadas do país, mais de 2,5 milhões de pessoas deixaram a Ucrânia, segundo a ONU. A situação provocou uma crise de refugiados nos países vizinhos, sobretudo na Polônia, que recebeu a maior parte dos refugiados.