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m de leitura Atualizado em 23/02/2022, 12:46

Rodrigo Garcia usa imagem de peão e disputa agro de SP com candidato de Bolsonaro

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

ARTUR RODRIGUES
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Nasci em Tanabi, cresci em Rio Preto. Recarrego minha energia na fazenda, no pasto, no cavalo, tocando a boiada. O campo me ensinou a ter disciplina, foco, determinação, a valorizar e respeitar o trabalho, a ter paciência, simplicidade e atenção aos pequenos detalhes", escreveu o vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (DEM), em um post em sua rede social, usando chapéu, montado num cavalo e com a boiada ao fundo.

A imagem de peão tem sido cada vez mais frequente na pré-campanha ao governo de Garcia, que sinaliza saber que o caminho para o cargo de governador necessariamente deve passar pelo interior paulista.

Com agenda intensa em cidades fora da Grande São Paulo, Garcia tem feito diversos acenos ao agronegócio. Ele deve assumir o governo paulista no início de abril, com a saída do cargo de João Doria (PSDB) para entrar na disputa presidencial.

Os movimentos se adiantam a uma provável disputa desse eleitorado com o candidato do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Palácio dos Bandeirantes, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, em um cenário sem Geraldo Alckmin (sem partido) concorrendo à vaga.

Nas redes sociais, Garcia já escreveu se orgulhar de puxar a letra erre e que sabe dirigir trator. Ao aderir à brincadeira das redes sociais sobre modos como as pessoas são chamadas além dos nomes, escolheu entre seus apelidos as palavras peão e caipira.

Quem acompanha Garcia admite que se trata de movimento calculado, mas afirma que esse é um lado real do vice-governador.

O político vem de família de criadores de gado, cavalga desde criança e é fã de música sertaneja. A família é próxima da dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano -Zé Neto, recentemente, mandou feliz aniversário nas redes para o pai do vice-governador, Paulino, admirador da moda de viola.

Os recados não ficam só na estética e cultura. O agronegócio tem sido vitaminado como nunca, num momento em que João Doria (PSDB) busca melhorar seus índices na disputa à Presidência e Garcia tenta se projetar para uma vaga no segundo turno em São Paulo.

Como a Folha mostrou, a Secretaria da Agricultura, ocupada pelo MDB desde junho do ano passado, multiplicou por 15 seus gastos em 2021 com distribuição de tratores e veículos para cidades paulistas e com aumento nos auxílios e créditos para produtores rurais.

Isso também envolve uma ampla agenda fora da Grande São Paulo. Desde janeiro, a reportagem localizou eventos em cerca de duas dezenas de cidades diferentes do interior na programação de Garcia.

Nas ocasiões, não faltam afagos ao agronegócio.

"Aqui nós temos soja, feijão e milho. É aqui que São Paulo mostra que nós somos um estado completo que tem indústrias e serviços, mas também é líder no agronegócio do país", disse em evento na região de Itapeva, para anúncio de R$ 200 milhões para apoio a este setor.

Garcia participou também neste mês de reunião na Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), ao lado do secretário de Agricultura, Itamar Borges (MDB), onde exaltou a importância da produção sucroalcooleira no estado.

"O Rodrigo Garcia vai depender muito do interior. O principal cabo eleitoral dele é o Doria e a gente sabe como o Doria tem ido em termos de popularidade sobretudo na Grande São Paulo. Então, para compensar esse déficit na capital, ele [Garcia] precisa buscar o interior", diz o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV (Fundação Getulio Vargas).

O cientista político lembra que o candidato de Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, embora não seja da área do agronegócio, deve buscar conexões com o setor que é uma das bases do bolsonarismo.

Isso porque apenas o trabalho ligado a entregas de obras federais pode não bastar para quebrar a hegemonia histórica do tucanato nessa região.

De acordo com pesquisa Datafolha divulgada em dezembro, no cenário sem Alckmin, Garcia teria 6%, contra 7% de Tarcísio.

Os demais candidatos no páreo também devem disputar o interior, mas até o momento não têm feito acenos tão explícitos em relação ao agro e símbolos que remetam à vida de peão.

Lideram a corrida Fernando Haddad (PT), com 28%; seguido por Márcio França (PSB), com 19%; e Guilherme Boulos (PSOL), com 11%.

Tarcísio, por sua vez, tem feito acenos frequentes ao agro. No dia 11, ele participou de uma aula magna na Faap, para celebrar o lançamento da pós-graduação em agronegócio

Em suas falas, ele tem tentado reforçar a ligação entre a infraestrutura, sua área, e o agronegócio.

"Eu quero agradecer o convite para falar de agronegócio e a relação do agro com a infraestrutura. Infelizmente, a gente é obrigado a correr atrás, por causa do pessoal do agro, o pessoal do agro é mais rápido que a gente", disse, na abertura da palestra.

Esse tipo de discurso deve ser reforçado durante inaugurações de obras com a presença do ministro em São Paulo.

Para aliados de Tarcísio, o investimento na reta final do governo Doria não deve beneficiar o tucano e Garcia após a má repercussão de cortes de benefícios fiscais que penalizaram o agro -diante de repercussão negativa, parte das medidas foram canceladas.