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m de leitura Atualizado em 23/01/2022, 10:26

Relógios icônicos de São Paulo contam a história da cidade

PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de janeiro de 2022

CATARINA FERREIRA
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Observar os relógios históricos do centro de São Paulo, o primeiro deles instalados ainda no século 19, é um convite à reflexão sobre o passado -e o presente- da cidade que completa 468 anos.

É esse o sentimento do historiador João Paulo Pimenta.

"É como se eles estivessem não apenas no tempo passado, mas também em um tempo mais lento. Uma espécie de refúgio contra o ritmo frenético de São Paulo", diz o professor do Departamento de História da FFLCH-USP (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo).

"Essas peças são ecos de um passado que insiste em permanecer, ainda que [os relógios] estejam eventualmente quebrados ou escondidos na paisagem", acrescenta Pimenta, destacando o valor histórico dos aparelhos.

Instalado em 1884, o relógio mais antigo de São Paulo é o da Faculdade de Direito da USP, no largo São Francisco, região central da cidade.

Quem cuida da sua manutenção é Augusto Fiorelli, 62. Responsável pela conservação de outros relógios públicos, ele conta que aprendeu o ofício com o avô e que desde a adolescência trabalha com essas grandes peças.

"Para mim, é um trabalho gratificante. É a história da cidade", afirma. "É uma pena que alguns estejam parados ou sucateados, como o relógio da praça da Sé."

Fiorelli, que fazia manutenção do equipamento, conta que a peça está parada desde 2018. De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, os relógios da praça da Sé são de propriedade privada e não é responsabilidade da prefeitura cuidar da sua manutenção.

Hugo Segawa, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, diz que os relógios públicos, assim como bancos de praça e chafarizes, são parte do mobiliário urbano e lamenta que parte dessas peças estejam abandonadas. "Cabe ao poder público ampliar o universo da memória dos paulistanos."

Faculdade de Direito da USP

O relógio no largo São Francisco é considerado o primeiro da cidade. O equipamento é mantido em sua versão original e apresenta o numeral romano IIII, em vez da tradicional forma IV.

A faculdade, fundada em 1828, ocupou um prédio do antigo Convento de São Francisco, criado em meados de 1640. O edifício passou por duas grandes reformas: uma em 1880, após um incêndio, e outra na década de 1930.

Conjunto Nacional

Um dos símbolos da avenida Paulista, o relógio digital que ocupa o topo do Conjunto Nacional foi instalado no início da década de 1960, acompanhado de um painel luminoso que já exibiu marcas de empresas e bancos.

Em 1992, o equipamento foi reformado e recebeu um sistema moderno. Assim, começou a ser controlado por computador e passou a exibir também a temperatura.

Construído entre 1953 e 1957, o Conjunto Nacional abriga imóveis comerciais e residenciais.

Antigo Mappin

Instalado na fachada do edifício em que ficava a extinta loja de departamentos Mappin, o relógio data de 1920, quando a loja ficava na praça do Patriarca, e inicialmente dava as horas em algarismos romanos.

A peça acompanhou a mudança do Mappin para a praça Ramos de Azevedo, em 1939, e ganhou um mostrador com algarismos arábicos.

A loja ocupava cinco andares do edifício e se transformou em um ponto turístico da cidade. Hoje, o prédio abriga uma unidade das Casas Bahia.

Paróquia São João Batista do Brás

O relógio que ocupa a torre da Paróquia São João Batista do Brás foi fabricado na década de 1930 pela Michelini, uma empresa familiar conhecida por criar relógios de torre e de fachada.

A igreja, fundada em 1908, serviu como ponto de assistência social à comunidade durante a epidemia de gripe espanhola, em 1918 --estima-se que a doença tenha deixado 5.000 mortos na cidade.

Além disso, a paróquia abrigou atividades de sindicatos durante a ditadura (1964-1985), tornando-se símbolo de resistência e de apoio à luta operária.

Relógio de Nichile

A praça Antônio Prado, no centro de São Paulo, abriga hoje o último remanescente de uma série de peças criadas em 1935 pelo publicitário Octávio De Nichile e que ficaram conhecidos como relógios de Nichile.

O objeto, que tem espaços para a exibição de propaganda na estrutura que sustenta o relógio, foi considerado inovador para a época.

Quem cuida da manutenção do equipamento é o filho de seu criador, o jornalista Gilberto de Nichile.

Estação da Luz

O relógio instalado na torre da estação da Luz no começo da década de 1950 substituiu o modelo anterior, uma peça inglesa destruída por um incêndio em 1946.

O edifício foi construído no período de 1895 a 1901, e o projeto é atribuído ao arquiteto inglês Charles Henry Driver. Em 2006, parte da estação foi remodelada para abrigar o Museu da Língua Portuguesa.

Aos finais de semana, quem vai ao local pode observar a torre do relógio mais de perto, em uma visita guiada que percorre um dos terraços do prédio histórico.

O passeio é realizado aos sábados e domingos em duas opções de horário, às 11h e às 15h -não é necessário fazer agendamento.