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m de leitura Atualizado em 08/03/2022, 20:45

'Quem está no poder precisa que o Brasil continue na merda', diz Pedro Bandeira

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terça-feira, 08 de março de 2022


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RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Prestes a completar 80 anos nesta quarta-feira, Pedro Bandeira diz que vive de "esperançar". Um dos escritores mais lidos por escolas Brasil afora, Bandeira é um daqueles que acredita que livros podem, sim, transformar o mundo, já que são capazes de transformar as pessoas.

Sua esperança, no entanto, ele diz ser constantemente abalada por quem está no poder --seja Jair Bolsonaro, que ele diz ter vindo "do lodo do fundo do poço", seja Lula, a quem noutra ocasião ele chamou de "sindicalista que quebrou a Petrobras".

"Foi um trabalho de gerações que fez o Brasil ser analfabeto. A elite trabalhou duro para que a gente fosse atrasado", Bandeira diz, em entrevista a este jornal, ao comentar uma pesquisa recente do IBGE que apontou que 41% das crianças de sete e oito anos não sabem ler nem escrever, o maior patamar desde 2012, quando o índice era de 28%.

Também são estarrecedores para o escritor os índices de leitura da população. Em média, o brasileiro lê só dois livros por ano, segundo a última edição da pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", do Instituto Pró-Livro, realizada em 2019 e 2020 em 208 municípios do país. São números, Bandeira diz, arquitetados por este e outros governos para emburrecer propositalmente seu eleitorado.

"O brasileiro que sabe ler lê muito. O problema é que ele não sabe ler. A escola não permite que ele aprenda. Muitos brasileiros são semianalfabetos e têm dificuldade até para assistir a uma novela de TV. O problema não é só econômico. O tênis é caro e se sacrificam para comprar um tênis de grife."

"O problema é que o Brasil deu certo como um país subdesenvolvido, então é muito importante que o povo não seja culto, porque é muito fácil dominar. Quem está no poder precisa que o Brasil continue na merda. Mas as professoras estão sabotando essa ideia. Elas estão criando gente que sabe ler. Elas são perigosas. Talvez eu não veja grandes mudanças, mas gosto de viver de esperança. Só me resta esperançar."