SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O pré-candidato ao Governo de São Paulo pelo PSOL, Guilherme Boulos, vai integrar uma comissão criada pela sigla para tratar das negociações com o PT e demais partidos da esquerda em busca da criação de uma aliança em torno do nome do ex-presidente Lula (PT) nas eleições de outubro.

Além do líder sem-teto, o presidente nacional da sigla, Juliano Medeiros, e a deputada federal e líder da bancada do PSOL na Câmara, Talíria Petrone (RJ), vão integrar a comissão.

A composição do grupo foi discutida na primeira reunião da executiva nacional do PSOL deste ano, realizada nesta sexta-feira (11). No encontro, também foram levantados os temas que deverão ser levados à mesa de discussões com o PT. O PSOL defende que os petistas encampem uma agenda de esquerda.

Os três eixos programáticos aprovados na reunião são a revogação do teto de gastos e de reformas promulgadas nos governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL); políticas ambientais e a implementação de uma reforma tributária.

Na área ambiental, o partido propõe a elaboração de medidas para financiar a transição energética, defesa de um novo modelo de desenvolvimento da Amazônia, desmatamento zero, garantia de direitos aos povos indígenas, tradicionais e quilombolas.

A reforma tributária proposta pelo PSOL prevê uma diminuição da taxação no consumo de bens essenciais e populares e foco na taxação de renda e propriedade, incluindo a criação de impostos dos super-ricos.

A ideia é que um ato na próxima quarta (16), em Brasília, oficialize a abertura das discussões com a presença de membros de ambos os partidos.

Entre representantes do PSOL, há um clima de otimismo de que essas propostas poderão ser incorporadas pelo PT.

Em um congresso realizado em setembro passado, o PSOL definiu por 56% a 44% que iria apoiar a campanha de Lula e não iria lançar candidato próprio ao Planalto. Essa decisão ainda deve ser confirmada em uma conferência da legenda prevista para abril.

Na reunião desta sexta, a executiva da legenda também prorrogou em 15 dias o prazo das atividades de grupo criado para discutir a possibilidade da federação com a Rede.

Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou, havia a expectativa de o aval para a aliança já ser estabelecido no encontro, no entanto, divisões na sigla adiaram essa decisão.

Parte do PSOL vê a federação como uma forma de reposicionar o partido, de maneira forçada, mais para o centro. O senador Ranfolfe Rodrigues (Rede-AP), que é um dos articuladores da aliança, defende a chapa Lula-Alckmin.

Com a chegada da Rede, a ala minoritária do PSOL, que ainda prega uma candidatura própria ao Planalto, tende a perder mais força ainda.

Inicialmente, o impasse em torno da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, com a esquerda dividida entre as candidaturas de Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB), não era um item previsto para o encontro.

A expectativa é que a questão seja tratada mais adiante, quando houver mais clareza sobre viabilidade eleitoral dos nomes colocados e a construção de coligações.