BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O PSB apresentou às direções de PT, PC do B e PV propostas discutidas com a bancada de deputados do partido para minimizar o "hegemonismo" dos petistas na federação que está em negociação entre as siglas.

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, pediu, por exemplo, que o número de prefeitos e vereadores seja levado em conta na hora de definir quantos representantes cada sigla terá no órgão de comando. O critério, porém, foi rechaçado pelos demais partidos, até mesmo pelo PV e PC do B.

Ambas as siglas são pequenas e têm menos prefeitos que o PSB, por isso consideram que sairiam prejudicados na composição.

Hoje, o critério estabelecido na negociação é o tamanho da bancada eleita no Congresso. Segundo esse recorte, o PT ficaria com 27 membros na assembleia, de um total de 50. Já o PSB teria 15 representantes e PC do B e PV, quatro respectivamente.

As propostas foram apresentadas em reunião entre as direções dos partidos nesta quinta-feira (10).

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o presidente do PSB contestou a composição atual e defendeu ampliar o espaço do PSB para que a sigla não perca autonomia. Segundo ele, isso traz "dificuldade" para a aprovação da federação.

O PSB tem mais prefeitos eleitos que o PT, portanto, levado em conta esse número, o partido teria maior representatividade na assembleia da federação.

Os petistas discordam da ideia. "O tamanho dos partidos se mede pelo número dos deputados federais", reforça o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), secretário-geral do PT.

Em carta assinada por 19 dos 30 deputados do PSB e divulgada na véspera da reunião desta quinta, os parlamentares defenderam a proposta encampada por Siqueira. "O PSB não quer ser maior do que é, mas também não pode ter o seu tamanho reduzido", justificaram.

Durante a reunião desta quinta, o PSB também propôs criar um mecanismo que permita às siglas menores vetarem certas decisões da assembleia que tiverem ao menos 15% de votos contrários no órgão de comando da federação. Sugeriram também que decisões sejam tomadas por 4/5 dos membros que comandarão o órgão.

A ideia partiu dos deputados do PSB "para impedir qualquer tipo de hegemonismo nas decisões internas e a fim de promover o consenso como método fundamental de resolução em caso de divergências".

O critério, porém, também não foi aceito de pronto pelo PT. Os petistas defendem que as decisões sejam tomadas por 2/3 dos membros da assembleia que comandará a federação.

O PC do B sugeriu que os rumos da federação sejam definidos por 4/5 dos membros. Os partidos levarão as sugestões dos debates de seus respectivos partidos.

Outras propostas feitas na reunião tiveram mais aceitação das direções partidárias.

Entre elas, que sejam "natas" as candidaturas à reeleição de atuais prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.

Houve simpatia também à ideia de que para a definição de chapas estaduais, que incluem candidaturas de deputados federais e estaduais, seja levado em conta os votos tidos por cada partido em cada estado.

A reunião ocorre depois de a entrevista de Siqueira à Folha de S.Paulo gerar mal-estar tanto no PT como no PSB. Além de tratar da composição do órgão de comando do mecanismo, o presidente do PSB também cobrou reciprocidade do PT no apoio aos governos que a sigla quer disputar.

O deputado José Guimarães (PT-CE) deixou clara a insatisfação na legenda. "A militância não aceita que alguém de outro partido fique dando pito no PT. 'Faça isso senão não vou...' Quem não quiser não vai. Não estamos pedindo favor a ninguém para compor a federação", afirmou o petista.

Em outra frente, o governador Paulo Câmara (PSB-PE) afirmou que hoje, a maioria dos diretórios estaduais se posiciona a favor da federação com os partidos, contrariando o posicionamento de Siqueira.

Depois da entrevista, a bancada da Câmara também decidiu reforçar a posição a favor da federação, mesmo que com critérios, e declarou posição de apoio à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os deputados federais a têm interesse que seja concretizada a federação porque isso pode facilitar reeleições.

Depois do encontro entre direções partidárias nesta quinta, no entanto, petistas e pessebistas minimizaram as divergências. "Foi um clima muito bom", disse o deputado Paulo Teixeira.

Siqueira também afirmou que não houve embates.

"Quando se entra numa discussão e se tem divergências, todas as partes devem ter disposição para fazer concessões. Isso que é democracia", disse.

"Neste momento, não é hora de críticas. Se a gente começar criticando um ao outro, o resultado será ruim. Vamos aguardar a próxima reunião, que será mais conclusiva", ressaltou Siqueira.