Prefeitura de SP obriga assinatura de termo para quem tomar Pfizer no lugar da AstraZeneca


PAULO EDUARDO DIAS
PAULO EDUARDO DIAS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os paulistanos que deveriam tomar a segunda dose da vacina Astrazeneca, mas estão sendo imunizadas com Pfizer por causa da falta da vacina nos postos de São Paulo, precisam assinar um "termo de intercambialidade", como é chamada a miscigenação das vacinas. O papel deve ser entregue no ato da vacinação.

Na UBS (Unidade Básica de Saúde) Humaitá, na Bela Vista (região central), as pessoas que procuravam a vacina eram recebidas, ainda na rua, por dois agentes de saúde que, munidos com uma prancheta, recolhiam as assinaturas. Após o termo assinado, elas eram liberadas para ingressar na unidade. Já dentro do local, ainda era necessário enfrentar uma fila de 20 minutos para receber a dose da vacina.

Uma das pessoas que passaram pelo procedimento foi o representante comercial Wagner Ribeiro do Prado, 54 anos. Morador do Bexiga (centro), ele não se mostrou incomodado em assinar o termo, mas queria receber uma cópia do documento.

"Eu sei que é praxe. Acho perfeitamente normal e natural. Essa questão da não devolução [do termo] me incomodou. Acho que deveríamos ter uma cópia", disse o representante comercial Wagner Ribeiro do Prado, 54 anos. Logo após conversar com a reportagem, ele retornou à UBS e conseguiu tirar uma cópia do documento com seu celular.

Prado, que alegou ter ficado por 40 minutos na fila, contou "confiar na ciência acima de tudo", ao demonstrar não se preocupar em tomar uma dose de cada fabricante.

O auxiliar administrativo Johnny Viáfora, 51 anos, também não enxergou problemas em assinar o termo. "Eu entendo como algo burocrático. Para tomar ciência que são duas vacinas diferentes."

Com a falta de AstraZeneca nos postos de saúde, a Secretaria de Estado da Saúde decidiu na última sexta (10) optar pelo uso da Pfizer no lugar da AstraZeneca para as pessoas que estão com a segunda dose do imunizante atrasada. A gestão João Doria (PSDB) acusa o Ministério da Saúde pelo não envio de cerca de 1 milhão de doses ao estado de São Paulo. A pasta federal, do governo Jair Bolsonaro (sem partido), nega.

A imunização na capital paulista teve início por volta das 14h desta segunda-feira (13), no que levou dezenas de pessoas às unidades básicas de saúde.

Mesmo sob um calor de de 33ºC, uma fila se formou em frente a UBS Belenzinho, na avenida Celso Garcia. "A gente é tão miscigenado que resolveram miscigenar até vacina", disse a instrutora educacional Ligia Oliveira Santana, 39. "Acho que só vai fortalecer", ponderou.

Quem também fez coro a ela foi o advogado Adalberto Araújo, 53. "Eu não vejo problema algum, quando a gente tomava a do tétano não sabíamos o fabricante. Não tenho o que reclamar, só agradecer."

Mas teve quem prefere esperar o imunizante e não misturar. “"Como vai chegar essa semana a vacina [AstraZeneca], eu prefiro esperar para tomar o mesmo imunizante", sustentou o contador Samuel Trindade, 37 anos.

RESPOSTA

Em nota, a Prefeitura de São Paulo, gestão Ricardo Nunes (MDB), por meio da Secretaria Municipal da Saúde, informa que a partir desta segunda-feira (13), todo o munícipe que tomar a primeira dose da AstraZeneca e receber o imunizante da Pfizer, deverá assinar um termo de intercambialidade, deixando claro estar ciente de que recebeu um imunizante diferente da primeira dose.

A SMS segue as diretrizes do governo estadual, por meio do Documento Técnico nº 22, item 5.7.3, de 11 de setembro de 2021, que preconiza a intercambialidade mediante assinatura do termo de ciência.

Neste primeiro dia de intercambialidade, foram aplicadas 49.162 doses de Pfizer em pessoas que deveriam tomar AstraZeneca como D2. Ao todo, já foram aplicadas 15.911.549 de doses, sendo, 10.030.752 (D1), 5.532.142 (D2), 321.898 doses únicas e 26.757 doses adicionais.

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