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m de leitura Atualizado em 25/03/2022, 16:42

Preço da cenoura dispara 45% em março; veja maiores altas

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de março de 2022

LEONARDO VIECELI
AUTOR autor do artigo

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) voltou a dar sinais de força e ficou acima das projeções de analistas em março.

Neste mês, o índice teve alta de 0,95%. É a maior taxa para o período desde 2015 (1,24%), informou nesta sexta-feira (25) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado foi puxado pela carestia de alimentos, cuja produção sofreu efeitos do clima adverso no começo do ano.

O IPCA-15 também já refletiu os impactos econômicos da fase inicial da guerra na Ucrânia, que elevou as cotações do petróleo e, assim, gerou mega-aumento de combustíveis no Brasil.

Na mediana, analistas consultados pela agência Bloomberg esperavam avanço de 0,85% para o IPCA-15. Em fevereiro, o indicador havia registrado alta ainda maior, de 0,99%.

Com a entrada do novo dado, o IPCA-15 acumulou inflação de 10,79% em 12 meses até março. Nessa comparação, trata-se do sétimo mês consecutivo com taxa de dois dígitos. Ou seja, a inflação está acima de 10% desde setembro de 2021.

A alta de 10,79% é a maior para o acumulado desde fevereiro de 2016 (10,84%). O IPCA-15 estava em 10,76% nos 12 meses até fevereiro de 2022.

TODOS OS GRUPOS SOBEM NO MÊS

Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram alta de preços em março. O principal impacto (0,40 ponto percentual) e a maior variação (1,95%) vieram de alimentação e bebidas. O segmento acelerou frente ao mês anterior (1,20%).

Segundo o IBGE, o quadro reflete a seca no Sul e as fortes chuvas no Sudeste, que prejudicaram plantações e pressionaram preços. Os alimentos para consumo no domicílio subiram 2,51% em março.

As principais contribuições vieram da disparada da cenoura (45,65%) e das altas expressivas do tomate (15,46%) e das frutas (6,34%). Em 12 meses, a cenoura acumulou avanço de 121,64%. É o mais intenso da pesquisa nessa base de comparação.

Após alimentação e bebidas, o grupo de saúde e cuidados pessoais teve a segunda maior influência (0,16 ponto percentual) no IPCA-15 de março. Os preços subiram 1,30%, após baixa em fevereiro (-0,02%).

O grupo de transportes aparece logo na sequência. O segmento teve impacto de 0,15 ponto percentual no IPCA-15, com alta de 0,68% no mês.

Dentro de transportes, os preços da gasolina, o subitem com maior peso no índice, subiram 0,83%. O resultado espelha o mega-aumento de combustíveis nas refinarias da Petrobras, que entrou em vigor em 11 de março.

Na ocasião, gasolina, óleo diesel e gás de cozinha ficaram mais caros devido aos efeitos econômicos da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Isso ocorreu porque o conflito provocou avanço das cotações do petróleo no mercado internacional, um dos parâmetros utilizados pela Petrobras na hora de definir os preços nas refinarias.

Em março, segundo o IPCA-15, também houve altas nos preços do diesel (4,10%) e do gás veicular (5,89%). O etanol foi a exceção, com queda de 4,70%.

EFEITOS DA GUERRA

O índice oficial de inflação no Brasil é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), também produzido pelo IBGE.

Como a variação do IPCA é calculada ao longo do mês de referência, o dado de março ainda não está fechado. Será conhecido no dia 8 de abril.

O IPCA-15, pelo fato de ser divulgado antes, sinaliza uma tendência para os preços. O indicador prévio costuma ser calculado entre a segunda metade do mês anterior e a primeira metade do mês de referência da divulgação.

Neste caso, os preços foram coletados entre 12 de fevereiro e 16 de março. Isso significa que o índice captou os primeiros efeitos do conflito na Ucrânia, já que os combustíveis subiram em 11 de março nas refinarias.

"O impacto dos combustíveis não se esgota neste mês. A coleta do IPCA-15 pegou um período curto após a alta nas refinarias", avalia a economista Mirella Hirakawa, da gestora AZ Quest.

"O que os dados já mostram é que o repasse ocorreu de maneira muito rápida", completa.

Além de impactar os combustíveis, o conflito no Leste Europeu também pressiona as cotações de commodities agrícolas como o trigo.

Outro temor gerado pela guerra é a escassez de fertilizantes no Brasil, devido ao grande peso da produção russa.

Assim, analistas temem novos repasses para os preços finais de alimentos, o que afetaria principalmente os mais pobres.

"A alta do trigo reflete o risco de escassez e acaba impactando outros alimentos", diz a economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitoria. "Isso preocupa um pouco mais."

Ela lembra que o avanço de outras commodities agrícolas, como milho e soja, pode causar efeitos indiretos sobre os preços das carnes. É que esses insumos são usados para alimentação animal.

No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 está bem acima da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA. O centro da medida de referência é de 3,50% em 2022. Já o teto foi definido em 5%.

Analistas do mercado projetam estouro da meta em 2022, o que significaria o segundo ano consecutivo de descumprimento.

A alta prevista pelo mercado para o IPCA é de 6,59% até dezembro, de acordo com a mediana do boletim Focus, divulgado pelo BC.

As projeções vêm sendo revisadas para cima nas últimas semanas, em meio aos reflexos da guerra. Já há instituições financeiras projetando IPCA acima de 7% ao final do ano.

JUROS MAIS ALTOS

Em uma tentativa de frear a inflação, o BC vem subindo a taxa básica de juros. Neste mês, a Selic alcançou 11,75% ao ano. O mercado vê espaço para uma taxa ainda mais alta.

A mediana do Focus indica Selic de 13% ao final de 2022. O efeito colateral dos juros elevados é inibir investimentos produtivos na economia, já que as linhas de crédito ficam mais caras.

Com a pressão gerada pela guerra, a AZ Quest projeta IPCA de 1,04% em março e IPCA-15 de 1,2% em abril.

Rafaela Vitoria, do banco Inter, também avalia que as altas devem ficar próximas de 1%. Segundo a economista, uma trégua mais consistente da inflação em 12 meses só deve ocorrer a partir do segundo semestre.

O alívio esperado nas contas de luz e o efeito dos juros mais altos sobre a demanda de bens e serviços estão entre os fatores que sustentam essa projeção.