SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dois atores de destaque no ecossistema de impacto no país, Grupo Mol e Simbiose Social se unem para cocriar ferramentas que aceleram a cultura de doação no país. O primeiro entra com investimento e conexões de um modelo consolidado junto ao varejo, enquanto a startup oferece tecnologia e inteligência de dados.

O objetivo é oferecer uma plataforma de gestão do investimento social privado. Por meio dela, empresas conseguem mensurar o real impacto de suas doações para organizações da sociedade civil.

"Na pandemia, empresas nos procuraram pedindo ajuda para doar cestas e EPIs, organizar voluntariado e recursos que iam além do incentivo fiscal", diz Raphael Mayer, 27, cofundador da Simbiose.

A startup estava organizada para mapear e conectar empresas que fazem uso de leis de incentivo federais, estaduais e municipais com ONGs aptas a receber o recurso. Uma maneira de descentralizar a aplicação de verbas para causas como educação, saúde e esporte em todo o país.

"O orçamento de responsabilidade social é um só nas empresas e começamos a identificar uma demanda de mensuração de impacto padronizada", afirma Mayer.

Matchfunding, arredondamento, fundos filantrópicos, ESG --as práticas de doação que vieram para ficar na pandemia poderiam ser gerenciadas pelas empresas em um único canal. A ideia foi partilhada com o amigo Rodrigo Pipponzi, 41, cofundador da Editora Mol. Ambos se conheceram na cerimônia de premiação de 2018 do Empreendedor Social, realizado pelo jornal Folha de S.Paulo e pela Fundação Schwab. Pipponzi e sua sócia, Roberta Faria, foram os vencedores na categoria principal.

Eles criam produtos editoriais, como a revista Sorria, vendidas em redes varejistas para arrecadar microdoações --ação que já destinou R$ 40 milhões para ONGs.

A dupla dividiu o palco com Raphael Mayer e Mathieu Anduze, reconhecidos na categoria Empreendedor Social de Futuro. "Não foi por acaso", diz Pipponzi, que se tornou investidor na rodada de captação feita pela startup, avaliada em R$ 70 milhões, neste ano.

"Aprendi dentro da Rede Folha sobre impacto colaborativo. É mais negócio se reunir com quem faz bem do que criar novas soluções."

"São modelos distintos: uma editora com produtos físicos há 15 anos no mercado e uma molecada com tecnologia e dados", diz Mayer, que deixou o mercado corporativo para fundar a Simbiose, em 2017, e já movimentou R$ 350 milhões em incentivos fiscais.

Com o protótipo rodando, Simbiose e Mol devem levar a plataforma em meados de 2022. "Investidores terão acesso a indicadores, resultados, saberão se as ONGs estão com auditoria em dia", explica o administrador. "Sem acompanhamento eficiente, o projeto fica capenga, e não tem como fazer isso sem tecnologia."

Além da plataforma, a startup também pretende escalar seu processo de auditoria automatizado, que avalia o risco do investimento em organizações sociais. A iniciativa tem apoio de Pedro Chiamulera, fundador da empresa antifraude Clearsale. "A ideia é trazer mais confiança para o setor de impacto", afirma Mayer.

Ideia apoiada por Pipponzi, que neste ano transformou a Mol em grupo ao unir três pontas: editora, consultoria e um instituto que promove a cultura de doação no país.

"O que falamos por anos de responsabilidade social está entrando para valer na cabeça de quem lidera grandes negócios. Não é uma moda, é um movimento robusto que veio para ficar", conclui Pipponzi.

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