Petrobras, Vale e bancos puxam nova alta da Bolsa (1)


CLAYTON CASTELANI
CLAYTON CASTELANI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira fechou em alta nesta quarta-feira (24), apoiada sobre ganhos da Vale, da Petrobras e de grandes bancos, empresas com grande importância no núcleo do mercado acionário do país devido ao volume de negociações e atratividade para investidores estrangeiros.

O Ibovespa, índice de referência da Bolsa, subiu 0,83%, a 104.514 pontos. É o segundo dia seguido de ganhos. Na véspera, houve alta de 1,50%.

O dólar fechou em queda de 0,23%, a R$ 5,5950.

Após serem pressionados por expectativas de aumento da inflação nas primeiras horas do pregão, Ibovespa e câmbio passaram a refletir o alívio de investidores com a esperança de que governo e Congresso cheguem a um acordo para a aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Precatórios.

O governo aceitou alterações no texto —que libera mais gastos e viabiliza o Auxílio Brasil, entre outras medidas— para reduzir a resistência no Senado. A votação do relatório na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa ocorrer nesta quinta (25), após ser adiada nesta quarta.

Do ponto de vista do mercado, a proposta permite estimar qual será o prejuízo fiscal para 2022 e, por isso, reduz a incerteza sobre o risco dos investimentos nas empresas do país.

"O mercado volta seus holofotes para a discussão por conta da trajetória da dívida pública e os impactos que isso pode gerar na macroeconomia brasileira", diz Lucas Collazo, especialista em investimentos da Rico.

A Petrobras subiu 2,05%, em um dia em que o presidente da companhia, Joaquim Silva e Luna, disse em entrevista à TV Jovem Pan que a empresa poderá ser privatizada no futuro, mas defendeu que as regras de governança atuais já colocam a estatal em igualdade com as aplicadas no setor privado.

Luna ainda confirmou que o novo plano de negócios da estatal manterá o seu foco no pré-sal.

O petróleo caiu 0,24%, a US$ 82,11 (R$ 459,98).

O recuo é considerado tímido diante da divulgação pelos Estados Unidos de um plano para a liberação de milhões de barris de reservas estratégicas em coordenação com China, Índia, Coreia do Sul, Japão e Reino Unido para tentar aliviar os preços, depois que a Opep (organização de países produtores) e aliados ignoraram os apelos para aumentarem a produção.

A Vale avançou 2,32% em mais um dia de forte alta no mercado de minério de ferro. O preço nas negociações à vista, no porto chinês de Qingdao, disparou 8,4%. Os contratos futuros subiram 4,4% e já somam cinco altas consecutivas.

"Tem a expectativa de um novo pacote de infraestrutura na China, dando essa sustentação no preço do minério de ferro. Lembrando que Japão e Estados Unidos já soltaram seus pacotes", disse Jansen Costa, sócio da Fatorial Investimentos.

Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, destaca o cenário das commodities metálicas já vinha ganhando força com banco central da China prometendo novos estímulos econômicos, mas foi ainda mais impulsionado por uma declaração do vice-primeiro-ministro da China, Liu He, sobre a intenção do governo em antecipar obras de infraestrutura para impulsionar a demanda doméstica.

Os anúncios reforçam relatos de retomada das obras das imobiliárias chinesas e da produção, outrora restritas pela crise financeira da Evergrande e pela contenção na utilização de carvão para a redução das emissões de CO2.

Os bancos Itau-Unibanco e Bradesco, com altas de 2,67% e 2,68%, fecham a lista das empresas com os papéis mais negociados nesta quarta.

O Banco Pan subiu 5,19%, a maior elevação do dia. A Natura caiu 3,64%, o pior resultado do pregão.

Nos Estados Unidos, o Dow Jones recuou 0,03%. Os índices S&P 500 e Nasdaq subiram 0,23% e 0,44%, respectivamente.

Wall Street terminou em alta nesta quarta devido ao impulso das ações de Nvidia e de outras empresas de tecnologia, enquanto Gap e Nordstrom despencaram após fracos relatórios trimestrais, segundo a Reuters.

As duas varejistas emitiram alertas sobre problemas na cadeia de suprimentos antes da crucial temporada de compras de fim de ano nos EUA.

Membros do conselho de política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) estão dispostos a antecipar o programa de compras de títulos e antecipar a alta de juros se a inflação alta se mantivesse, mostrou a ata da última reunião do órgão.

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