Petrobras adota novo indexador 'mais estável e previsível' para preço do gás natural


NICOLA PAMPLONA
NICOLA PAMPLONA

<p>RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Petrobras anunciou nesta segunda (3) a oferta de um novo contrato de suprimento de gás natural, que passará a acompanhar a cotação internacional desse combustível e não do petróleo, como ocorre hoje. Segundo a empresa, a nova referência tem sido mais estável e previsível.

</p><p>No novo contrato, a referência internacional será a cotação de venda em um dos principais entroncamentos de gasodutos do mundo, chamado Henry Hub, localizado no estado americano da Lousiana.

</p><p>Pelo elevado volume de gás que movimenta, incluindo grandes volumes para exportação em navios, Henry Hub se tornou uma das referências globais de preços do combustível.

</p><p>Atualmente, os contratos da estatal seguem a cotação do petróleo Brent, referência internacional negociada em Londres. Os preços são reajustados a cada três meses com base em uma fórmula que consideram também a variação cambial.

</p><p>No último reajuste, em vigor desde este sábado (1º), houve aumento de 39%, com grande peso da desvalorização cambial. O percentual foi considerado "inadmissível" pelo presidente Jair Bolsonaro. "Que contratos são esses? Que acordos foram esses? Foram feitos pensando no Brasil?", questionou ele.

</p><p>A Petrobras diz que a nova fórmula será negociada com seus clientes e que a mudança não implicará necessariamente em impactos nos preços finais do gás, mas que "tendo como base o histórico dos últimos anos, essa é também uma referência mais estável e previsível".

</p><p>A empresa diz que o novo modelo começou a ser discutido internamente em 2020, já pensando no vencimento dos contratos atuais, que começa em 2022.

</p><p>Segundo a estatal, a expectativa de aumento da concorrência na oferta de gás levou à busca por um contrato mais competitivo. O avanço em medidas do governo para limitar a presença estatal no setor já vem movimentando o mercado privado, com a oferta de contratos de suprimento nacional e importado.

</p><p>Em abril, a norueguesa Equinor, por exemplo, anunciou o projeto de produção em um dos maiores campos de gás do pré-sal, com previsão de produção média de 14 milhões de metros cúbicos por dia, o equivalente a metade da atual capacidade de importação da Bolívia.

</p><p>Sócias estrangeiras da Petrobras em campos do pré-sal terão de parar de vender gás à estatal e buscar clientes no mercado, por determinação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Além disso, há ainda a oferta de terminais privados de importação de gás liquefeito.

</p><p>"O mercado de gás natural no Brasil está em processo de abertura, incentivando a competição, com a entrada e consolidação de novos atores em todos os elos da cadeia de valor", disse a Petrobras, em nota. A empresa oferecerá também novos prazos contratuais, com horizontes de seis meses, um e quatro anos.

</p><p>Contratos atrelados ao Henry Hub já vêm sendo oferecidos ao mercado em chamadas públicas de compra de gás feitas por distribuidoras estaduais. É uma referência mais ligada ao comércio internacional de gás do que ao de petróleo e, por isso, sofre menos impactos de questões geopolíticas, por exemplo.

</p><p>Agentes do mercado consultados pela Folha dizem que ainda estão avaliando a proposta. A mudança na referência é pleito antigo da indústria que reclama de perda de competitividade em relação ao seus concorrentes internacionais em tempos de petróleo caro e gás barato.

</p><p>A Petrobras vende o combustível para as distribuidoras estaduais de gás canalizado, que depois o repassam aos clientes finais. Na composição final do preço, além de impostos e margens do segmento de distribuição, há a tarifa de transporte do combustível pelos grandes gasodutos do país.

</p><p>Em janeiro, segundo dados do MME (Ministério de Minas e Energia), a cotação média do Henry Hub foi de US$ 2,67 por milhão de BTU (medida de poder energético), enquanto o gás no Brasil custava US$ 5,50 por milhão de BTU, desconsiderando custos de transporte, distribuição e impostos.

</p><p>A redução do preço do gás foi uma das primeiras bandeiras do ministro da Economia, Paulo Guedes, no início do governo. Ele chegou a prometer que os valores cairiam à metade, mas até o momento não houve resultados concretos.

</p><p>Em 2020, seguindo o derretimento das cotações do petróleo após o início da pandemia, o preço do gás natural vendido pela Petrobras chegou a acumular queda de 48% até outubro. Depois, passou a subir, acompanhando a recuperação da economia global.

</p><p>A estatal diz que, mesmo com o aumento de 39% em maio, seu preço ainda está 8,6% abaixo do praticado em dezembro de 2019.

</p><p>"A escolha [do contrato] poderá ser feita a critério do cliente, atendendo a demanda do mercado por mais flexibilidade nas fórmulas de preço", disse a Petrobras.</p>

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