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m de leitura Atualizado em 30/03/2022, 01:15

Persio Arida e Mercadante iniciam conversas para agenda econômica Lula-Alckmin

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de março de 2022

ALEXA SALOMÃO, CATIA SEABRA E JULIA CHAIB
AUTOR autor do artigo

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BRASÍLIA, DF, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O economista Persio Arida e o ex-senador petista Aloízio Mercadante, presidente da Fundação Perseu Abramo, se encontraram na semana passada. A reunião ocorreu após convite de Mercadante e foi interpretada como um movimento diplomático de aproximação que busca ampliar a agenda econômica da aliança entre ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB) na campanha presidencial deste ano.

O movimento é considerado delicado. A resistência, afinal, é recíproca.

Ligado a gestões do PSDB, Arida é um dos pais do Pano Real, foi presidente do BNDES e do Banco Central no governo de Fernando Henrique Cardoso. Sempre esteve no lado oposto ao do PT e é um crítico ao receituário do partido. No entanto, é economista da confiança de Alckmin e foi coordenador de seu programa econômico na campanha presidencial de 2018. Ambos se respeitam e se admiram.

O mais complicado no avanço das conversas é equilibrar as visões econômicas das duas partes, que são distintas. Persio está no grupo que acredita ser necessário uma nova regra fiscal, uma espécie de revisão do teto de gastos, o que, de certa forma, o alinha com boa parte dos economistas petistas.

No entanto, é um crítico ao excesso de despesas. Defende que o gasto seja focado em programas sociais mais eficientes e uma revisão nas despesas obrigatórias, incluindo salários e Previdência, algo que o PT já não tem tanta disposição em mexer.

Ministro do governo de Dilma Rousseff e cotado para coordenação do programa de governo de Lula, Mercadante diz ter ouvido a visão de Pérsio sobre a conjuntura e eventuais propostas econômicas.

"Ficamos de aprofundar, mas ele não tem compromisso com nenhuma candidatura ou programa, mas está aberto a conversar com o campo democrático", diz o petista, lembrando que os dois estudaram juntos há 50 anos na Faculdade de Economia e Administração da USP.

Economia é dos temas caros a Alckmin e, segundo a reportagem apurou, ele tem interesse em dar contribuições nesta área. Parte disso inclui aproximar economistas do PSDB ao grupo petista.

Além de Persio, mira Arminio Fraga, outro economista ligado a governos do PSDB. Igualmente crítico às gestões petistas, até agora ele tem rejeitado se aproximar de todos os candidatos nesta eleição.

A abordagem de Alckmin inclui reforçar a ideia que o momento é de união em favor da democracia, mas entre os mais desconfiados ainda não está claro se ele será ouvido de fato ou apenas usado pelo PT na campanha e posteriormente escanteado.

Persio foi sócio fundador e presidente do BTG e também é muito respeitado no mercado financeiro. Alguns integrantes do PT avaliam que uma aproximação com ele seria um excelente sinal para investidores e ajudaria a quebrar resistências de parte dos empresários.

Nesse aspecto, para esse grupo, Persio agora poderia ter o mesmo efeito deflagrado há 20 anos por Antonio Palocci, o ex-ministro da Fazenda que contribuiu favoravelmente na eleição e no primeiro mandato de Lula.

A expectativa é que nos próximos dias haverá anúncio de encontros com indicados por outros partidos, como PC do B e PSOL.