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m de leitura Atualizado em 24/02/2022, 14:25

Pastor é preso no Rio sob suspeita de racismo e de atacar judeus

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022


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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Agentes da Polícia Federal prenderam na manhã desta quinta-feira (24) no Rio de Janeiro o pastor Tupirani da Hora Lores. Líder da igreja Geração Jesus Cristo, ele é suspeito de produzir e publicar na internet vídeos atacando judeus e outros grupos religiosos.

Os policiais cumpriram mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão no bairro de Santo Cristo, onde o pastor foi preso. No momento da prisão, ele usava uma camisa preta com os dizeres "não sou vacinado."

Em agosto do ano passado, ganhou repercussão nas redes sociais um vídeo em que Lores dizia que "a igreja não levanta placa de negro e de veado nenhum."

O líder religioso responderá pelos crimes de racismo, ameaça, incitação e apologia ao crime. Se for condenado, a pena dele pode chegar a 26 anos de prisão.

Essa, porém, não é a primeira vez que o pastor é preso por propagar discussões de ódio. Em 2009, ele e um fiel de sua igreja foram presos acusados de incitação à intolerância religiosa.

A prisão aconteceu após a divulgação de um vídeo em que o fiel fazia referências negativas a pais de santo e a centros espíritas.

Em 2008, o líder religioso já havia sido preso ao lado de três integrantes da igreja sob a acusação de invadir um centro de umbanda e quebrar imagens religiosas. A Folha não localizou a defesa do pastor.

O Rio de Janeiro vive atualmente uma onda de ataques a cultos religiosos. Em 2021, o estado registrou 33 casos de ultraje religioso, isto é, o ato de ridicularizar, perturbar ou impedir uma cerimônia religiosa.

É um aumento de 43% em relação ao ano anterior, quando houve 23. Os dados são do ISP (Instituto de Segurança Pública) e foram divulgados no final de janeiro. O órgão diz, porém, que esses números devem ser maiores em razão da subnotificação.

Além disso, o Brasil vem observando o aumento de grupos que disseminam ideias antissemitas, segundo monitoramento feito pela antropóloga Adriana Dias, que pesquisa há duas décadas as atividades desses grupos no Brasil. De 2015 a maio de 2021, células neonazistas saltaram no país de 75 para 530.

Já um levantamento na Central de Denúncias de Crimes Cibernéticos da plataforma Safernet Brasil contabilizou uma explosão de denúncias sobre conteúdo de apologia do nazismo nas redes. Em 2015, foram 1.282 casos, ante 9.004 em 2020 --um crescimento de mais de 600%.

Em dezembro do ano passado, a Polícia Civil do Rio e o Ministério Público deflagraram uma operação para prender integrantes de um grupo acusado de disseminar discussões racistas e antissemitas em redes sociais.

Segundo a polícia, as investigações duraram sete meses e descobriram um grande volume de conteúdo racista direcionado a negros e judeus, inclusive com diálogos que incitavam violência contra esses grupos.