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m de leitura Atualizado em 24/02/2022, 19:26

Paralisação de policiais civis em MG atrasa emissão de documentos em BH

PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

LEONARDO AUGUSTO
AUTOR autor do artigo

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BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Paralisação de servidores da Polícia Civil de Minas Gerais começa a interferir no dia a dia da população do estado.

Uma fila gigantesca de motoristas à espera de atendimento no Detran-MG (Departamento de Trânsito de Minas Gerais), que é de responsabilidade da corporação, em Belo Horizonte, foi registrada nesta quarta (23) e quinta-feira (24), atrasando a liberação de documentos.

Policiais civis e outros integrantes das forças de segurança de Minas Gerais pressionam o governo de Romeu Zema (Novo) para que cumpra acordo de aumento salarial fechado em 2019.

Uma manifestação que reuniu 30 mil pessoas integrantes das categorias, conforme organizadores, foi realizada na segunda (21) na capital. A paralisação dos civis foi decidida no ato e foi chamada de greve.

O Sindpol-MG (Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais) afirma que apenas 30% da categoria está trabalhando, seja no Detran, delegacias ou departamentos de investigações.

Por volta das 9h30 desta quinta, 226 carros e motocicletas aguardavam atendimento no Detran do bairro Gameleira, região oeste da capital, em fila que passava por quatro quarteirões.

O despachante Ricardo Rodrigues de Castro, 43, aguardava, por volta das 10h, um cliente que estava na fila com veículo que passaria por vistoria. "Você normalmente aguarda de 5 a 10 minutos. Meu cliente chegou às 7h e ainda não chegou próximo à portaria", disse.

A unidade do Detran, além de vistorias, concentra emissão de todos os documentos de veículos necessários, por exemplo, para compra e venda de carros e motos. No local é feito ainda emplacamentos de veículos novos.

O cabeleireiro Matheus Espanhol, 26, entrou na fila antes das 8h e só conseguiu ser atendido às 9h50. Foi levar a moto para obter documentação para transferência do veículo. "É uma canseira. Mas acho que todo mundo tem que correr atrás do que acha que merece", afirmou, se referindo à paralisação.

O motoboy Reinaldo Alberto Matias, 46, entrou na fila às 8h30. Duas horas depois, ainda estava bem longe da entrada do Detran. Ele foi levar a moto nova para emplacamento. "Normalmente dá para resolver isso com 30 minutos", afirmou.

Para o motoboy, a culpa do atraso é do governador Zema. "Se comprometeu a pagar (o reajuste) e não pagou. O governo faz isso e a gente é que sofre."

Nesta quinta, Zema anunciou reajuste de 10% para todos os servidores públicos mineiros.

Segundo a Polícia Civil, os serviços do Detran estão em funcionamento. "Eventual demora no atendimento pode decorrer de adesão individual à chamada 'Operação Padrão' difundida por entidades de classe, em busca de recomposição salarial", disse a corporação, em nota.

Em outros departamentos da Polícia Civil, como o IML (Instituto Médico Legal de Minas Gerais), o movimento era tranquilo na manhã desta quinta. Na Polícia Militar, o cenário era de tranquilidade também no 5º Batalhão da PM.

CARTILHA DA POLÍCIA MILITAR

Policiais militares não paralisaram suas atividades, já que greve da classe é considerada motim. No entanto, associação da categoria divulgou na noite desta quarta uma cartilha com orientações do que classifica como atuação dentro da "estrita legalidade nas ações".

Na prática, a associação indica aos PMs que não utilizem telefones celulares durante o serviço ou rodem em viaturas sem equipamentos de segurança.

"Não estamos paralisados. Estamos agindo dentro da estrita legalidade", declarou o presidente da AOPMBM (Associação dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais).

A cartilha com 12 orientações está sendo repassada aos policiais pela Aspra (Associação dos Praças Policiais e Bombeiros de Minas Gerais).

Além de indicar que os PMs não usem celulares próprios e não circulem com viaturas que não tenham equipamentos de segurança, o texto diz ainda que os policiais têm o direito de receber coletes à prova de balas em condições de uso e que há "um número considerável" desses equipamentos vencidos.

Ao final, a cartilha nega que seus tópicos sejam para que os policiais cruzem os braços. "Isso não é greve. Não é incitação à indisciplina. É um grito de socorro, um grito para estabelecimento de diálogo com o Governo."

"É uma cartilha orientativa para estrita legalidade. Esse é o primeiro passo. O segundo passo, caso não avance a negociação, é a paralisação", disse o presidente da Aspra, Marco Antônio Bahia.

Procurada pela reportagem, a Polícia Militar não respondeu até a publicação desse texto.