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m de leitura Atualizado em 08/03/2022, 20:27

Pais de alunos da rede privada do Rio estão divididos sobre uso de máscara (1)

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de março de 2022

MATHEUS ROCHA
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pais de alunos da rede privada de ensino da cidade do Rio de Janeiro estão divididos quanto ao uso de máscara. O item deixou de ser obrigatório nesta segunda-feira (7), quando o prefeito Eduardo Paes (PSD) assinou um decreto retirando a obrigatoriedade da proteção contra Covid em ambientes fechados.

Com isso, a cidade se tornou a primeira capital do Brasil a abolir totalmente a utilização das máscaras.

Segundo Daniel Becker, sanitarista e membro do comitê científico do Rio, cabe à secretaria de educação e às escolas particulares a decisão de manter ou não o uso das máscaras.

A Secretaria de Estado de Saúde diz que as escolas estaduais da cidade do Rio devem seguir as novas regras. Já a Secretaria Municipal de Saúde afirma que o uso das máscaras não é mais obrigatório nas unidades de ensino, mas que incentiva o uso da proteção por pessoas imunodeprimidas, com comorbidades de alto risco ou pessoas não vacinadas

Consultadas pela reportagem, sete escolas particulares disseram que o uso do item será facultativo. Trata-se dos colégios Elite, PH, Franco-brasileiro, Santo Inácio, CEL (Intercultural School) e Mopi. Já a Escola Parque orientou o uso de máscara por mais um período de duas semanas.

No Colégio Santo Agostinho, a utilização do item não é mais obrigatória, mas alguns pais ainda preferem que os filhos usem a proteção.

É o caso da dentista Ivi Costa, 43, que falou com a reportagem após deixar a filha de sete anos no colégio, localizado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

"Ela está de máscara e vai continuar de máscara. Ela só tomou a primeira dose. Vai tomar a segunda agora na sexta e vai permanecer com a máscara por pelo menos mais duas semanas", diz Costa.

Passadas as duas semanas, ela diz que vai avaliar o cenário epidemiológico para decidir se a jovem segue ou não com a máscara.

Para a dentista, o decreto da Prefeitura foi precipitado. "Acho que deveria ter esperado pelo menos mais 14 dias depois do Carnaval para ver o que acontece."

Embora o Carnaval de rua tenha sido suspenso, os blocos clandestinos se espalharam pela cidade, reunindo centenas de foliões.

Fernanda de Paula, 37, também prefere aguardar a retirada para a sua filha, de seis. "Eu não vou tirar a máscara agora, mas não sei como vai ser daqui para frente, com ela vendo os amiguinhos sem máscara. Mas vou tentar manter. Eu prefiro ser cautelosa no momento."

No entanto, ao contrário de Costa, a fisioterapeuta diz que o decreto da prefeitura veio em boa hora. "A medida veio no tempo certo. Acho que houve uma evolução, vieram as vacinas, a ciência. Está tudo caminhando para uma normalidade. A gente só precisa se acostumar com esse novo normal, ao que era antes."

Já a empresária Rahyra Soares, 32, liberou o filho de oito anos para ir à escola sem máscara. "Hoje ele entrou sem máscara. Eu prefiro, porque ele já está vacinado e acho que não tem mais problema ele vir sem máscara. Não vejo problema", diz ela, acrescentando que liberou o item pelo bem-estar do filho.

"Como ele usa óculos, a máscara deixa os óculos embaçados e ele não consegue enxergar direito. Está muito calor também, então ele reclama de falta de ar."

Para ela, o decreto da prefeitura poderia ter vindo até antes. "Achei que demorou. Tiveram Carnaval, festas de Réveillon e todo mundo sem máscara."

Avaliação parecida faz a advogada Mariana Rolins, 41. "As pessoas no Carnaval estavam todas em blocos e é um pecado com criança nesse 'calor de 50°C' pedir que elas usem máscara. As crianças já foram muito penalizadas na pandemia. Elas têm o direito de brincar de forma livre, de respirar ar puro", diz ela, que é mãe de uma menina de seis anos.

Se nas escolas os pais estão divididos quanto ao uso da máscara, nas ruas a situação não é diferente. Em bairros como Leblon e Ipanema, na zona sul, parte dos pedestres já circulava sem o item nesta terça (8), enquanto outros o mantinham no rosto.

O jornaleiro Rodolfo Matos, 42, que trabalha há pouco mais de um ano no Leblon, percebe essa divisão quanto ao uso da proteção entre quem circula pela região. "Está meio a meio. Muita gente sem máscara, mas muita gente com máscara", resume ele, que faz parte do primeiro grupo, tendo escolhido abolir o item de sua rotina.

"A gente começou a ir para um novo normal, agora sem máscara. Estou com a terceira dose e já me sinto seguro para circular sem máscara."

O eletricista Janderson da Silva, 38, tem uma opinião diferente. Para ele, o uso da máscara ainda é fundamental. "Meu filho tem problemas respiratórios. Então, para cuidar de mim e da saúde da minha família, eu preferi continuar usando a máscara", diz.

"Se for para errar, que seja pelo excesso. Acho que a prefeitura deveria ter pecado também pelo excesso. Penso que eles deveriam ter tomado uma atitude que pudesse preservar o maior número de pessoas. Por isso, sou contra o decreto", opina.