País cria 184 mil vagas com carteira assinada em março, mês com restrição a atividades (2)
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quarta-feira, 28 de abril de 2021
THIAGO RESENDE 
<p>BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Foram criadas 184.140 vagas com carteira assinada no país em março, apesar do agravamento da pandemia e implementação de medidas de restrição a algumas atividades econômicas no mês.
</p><p>Na noite desta terça-feira (27), o ministro Paulo Guedes (Economia) já havia informado que o balanço do mercado de trabalho formal em março foi positivo, segundo os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) que foram oficialmente divulgados nesta quarta (28).
</p><p>Apesar da abertura de vagas no mês, os números mostram um desaquecimento do mercado de trabalho, pois em janeiro foram criados 257,8 mil novos contratos e em fevereiro, 395,2 mil.
</p><p>Ao comentar os dados de março, Guedes destacou que o setor de serviços foi responsável por metade do saldo de março. O último setor da economia que estava no chão se levantou e a economia brasileira segue criando novos empregos, declarou o ministro nesta quarta.
</p><p>No acumulado de janeiro a março, o saldo no mercado de trabalho formal brasileiro é positivo, com a abertura de 837,1 mil vagas num período de crise provocada pela Covid-19.
</p><p>No mesmo período do ano passado, haviam sido abertas 108,8 mil empregos com carteira assinada, pois, em março de 2020, o impacto da chegada do novo coronavírus resultou no encerramento de quase 276 mil contratos de trabalho formais.
</p><p>Nos últimos 12 meses, o Caged registrou a abertura de 857,8 mil novas vagas. Por isso, Guedes ressaltou que o país tem hoje um nível de emprego formal acima do período pré-pandemia.
</p><p>Para tentar evitar demissões em massa diante do agravamento da crise em 2021, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assinou nesta terça (27) as medidas provisórias para que regras trabalhistas sejam flexibilizadas novamente diante do agravamento da pandemia.
</p><p>Com isso, foi recriado o programa que permite o corte de jornada e salários de trabalhadores da iniciativa privada, além da suspensão temporária de contratos. Em troca, o empregado recebe uma compensação paga pelo governo.
</p><p>Com um cenário de maiores restrições a atividades econômicas, o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, chegou a prever uma mudança no comportamento do mercado de trabalho.
</p><p>Podemos ter perda de empregos no próximo mês, disse. Ele, porém, acredita que isso será amenizado pela medida de corte de salários, que alivia o custo para o patrão.
</p><p>Pesquisador da área de Economia Aplicada do FGV/IBRE, Daniel Duque também acredita que o Caged de abril possa registrar um resultado negativo, porém próximo de zero. O mercado de trabalho tende a ter um pequeno atraso. Quando há queda ou aceleração da atividade econômica, a resposta dos empresários demora um pouco.
</p><p>Já o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, projeta um saldo positivo, entre 100 mil e 200 mil vagas abertas em abril, e dados mais desacelerados nos próximos meses, apesar da perspectiva de ampliação da vacinação contra a Covid-19.
</p><p>Não podemos considerar que, quando a economia começar a crescer, o empresário vai contratar mais. Não deve haver um 'boom' de contratações no segundo semestre, porque os empresários já se prepararam, comentou Sanchez.
</p><p>O saldo de março (criação de 184 mil vagas) reflete o desempenho positivo em todos os cinco grandes setores da economia brasileira. O resultado foi puxado pelo setor de serviços, que abriu 95,5 mil vagas de emprego no mês.
</p><p>Em seguida figuram indústria (42,1 mil novos postos), construção (25 mil), comércio (18 mil) e, por último, agropecuária (3,5 mil vagas abertas).
</p><p>Numa análise mais detalhada, apenas algumas atividades econômicas apresentaram encerramento de contratos, como alojamento e alimentação (- 28,6 mil) e artes, esporte e recreação ( - 2,2 mil).
</p><p>Com isso, as empresas de alojamento e alimentação que vinham se recuperando em 2021 passaram a apresentar corte de vagas no acumulado de janeiro a março. São quase 7 mil a menos.
</p><p>Março registrou criação de novos postos de trabalho formal em 22 unidades da federação, além do Distrito Federal.
</p><p>São Paulo e Minas Gerais foram os estados com saldo mais positivo 50,9 mil e 35,6 mil, respectivamente.
</p><p>Dos 184 mil novos empregos formais, cerca de 8,3 mil são de categorias criadas pela reforma trabalhista, ou seja, 4,5% do total.
</p><p>Uma delas é o trabalho intermitente, no qual o funcionário recebe pelas horas trabalhadas, mas não há uma jornada previamente estabelecida. A outra é o contrato de trabalho parcial, que permite menos horas semanais do que um contrato padrão.
</p><p>Em março, o salário médio de admissão formal foi de R$ 1.802,65. Portanto, acima do patamar de fevereiro (R$ 1.741,89), mas menor que o de março do ano passado (R$ 1.821,91). Os dados foram corrigidos pela inflação (IPCA).
</p><p>Além de lançar novamente o programa de corte de jornada e salários dos trabalhadores, o governo flexibilizou regras trabalhistas e permitiu que empresas adiem por até 4 meses o recolhimento de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) dos empregados.
</p><p>Segundo Guedes, essa suspensão temporária de pagamento do FGTS dá um alívio que pode chegar a R$ 10 bilhões por mês aos empresários. Esse dinheiro, porém, deverá ser depositado até o fim do ano na conta do FGTS dos trabalhadores, pois o pagamento foi apenas adiado para enfrentar o período mais grave da crise provocada pela pandemia.
</p><p>Especialistas afirmam que essa segunda parte do pacote emergencial trabalhista tem pouco efeito na manutenção do emprego, pois o gasto com o FGTS terá que ser realizado até o fim do ano e regras mais flexíveis, como facilidade para férias coletivas, não resolvem questões mais amplas da economia.
</p><p>Isso acaba contendo as demissões marginalmente. O diferimento [suspensão temporária] do FGTS não se transforma em salário, uma vez que é adiado e não significa uma isenção, explica Sanchez.
</p><p>Ao comentar os dados, o ministro também destacou que o Congresso voltou a debater reformas estruturais, como a administrativa, que altera as regras para o funcionalismo público. O tema está sendo </p>


