Pacheco admite crise entre Poderes e diz que patriotas são os que querem unir o país, e não dividi-lo (1)
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segunda-feira, 16 de agosto de 2021
RENATO MACHADO, DANIELLE BRANT E WASHINGTON LUIZ 
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em meio à nova crise aberta entre os Poderes, com o anúncio de Jair Bolsonaro de que vai entregar ao Senado pedido de abertura de processo contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), o presidente da Casa, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou nesta segunda-feira (16) que patriotas são os que unem o Brasil e não dividem.
O presidente do Senado ainda voltou a afirmar que o Congresso não vai aceitar "retrocessos" e que realiza uma "vigorosa vigilância" da democracia.
A manifestação de Pacheco acontece após um fim de semana tumultuado, que começou com o anúncio do presidente de que vai levar ao Senado um pedido de abertura de processos contra Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.
O chefe do Executivo tem trabalhado com a hipótese de levar pessoalmente o pedido ao Senado, acompanhado de vários de seus ministros. A interlocutores Pacheco tem dito ser contrário a essa possibilidade, mas que iria receber Bolsonaro para não criar novos constrangimentos e atritos.
"O diálogo entre os Poderes é fundamental e não podemos abrir mão dele, jamais. Fechar as portas, derrubar pontes, exercer arbitrariamente suas próprias razões são um desserviço ao país", escreveu o senador em suas redes sociais.
"Portanto, é recomendável, nesse momento de crise, mais do que nunca, a busca de consensos e o respeito às diferenças. Patriotas são aqueles que unem o Brasil, e não aqueles que querem dividi-lo. E os avanços democráticos conquistados têm a rigorosa vigilância do Congresso, que não permitirá retrocessos", acrescentou.
Mais cedo, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou em uma rede social ser "um ferrenho defensor constitucional da harmonia e independência entre os Poderes."
"Vigilante e soberana, a Câmara avança nas reformas, como a tributária que votaremos nessa semana, na certeza de que o país precisa de mais trabalho e menos confusão", escreveu.
Bolsonaro anunciou no último sábado (14) que vai ingressar com pedido de abertura de processo no Senado contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do STF. Barroso também preside o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O anúncio aconteceu um dia após a prisão, por determinação de Moraes, do aliado político Roberto Jefferson, ex-deputado e presidente nacional do PTB.
"Todos sabem das consequências, internas e externas, de uma ruptura, a qual não provocamos e desejamos", escreveu o presidente em sua rede social."
"De há muito, os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, extrapolam com atos os limites constitucionais. Na próxima semana, levarei ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, um pedido para que instaure um processo sobre ambos, de acordo com o art. 52 da Constituição Federal", completou.
O artigo mencionado prevê que cabe ao Senado a competência de processar e de julgar os ministros do Supremo nos crimes de responsabilidade.
A crise entre Bolsonaro e os dois ministros está ligada aos ataques do presidente contra as urnas eletrônicas, o sistema eleitoral brasileiro e as instituições.
Barroso assinou uma queixa-crime contra o chefe do Executivo e recebeu o aval do plenário da corte eleitoral para enviá-la ao STF. Moraes, por sua vez, incluiu Bolsonaro como investigado no inquérito das fake news, além de ter determinado a prisão de bolsonaristas.
Os senadores são praticamente unânimes ao considerar que o pedido de abertura de processo contra Barroso e Moraes serve apenas como uma resposta retórica para os eventos recentes, em particular a prisão de Jefferson e a abertura de inquéritos contra o próprio presidente pelo Supremo.


