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m de leitura Atualizado em 01/03/2022, 13:04

O que se sabe até agora sobre a guerra na Ucrânia

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terça-feira, 01 de março de 2022


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SÃO PAULO, SP, E BAURU, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro, dando início à crise militar mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

O líder russo afirma que a ação militar tem como objetivo apoiar enclaves separatistas no Donbass, região no leste do vizinho, mas ataques têm sido registrados em várias partes do território ucraniano --particularmente em suas maiores cidades, Kiev e Kharkiv.

Do outro lado do conflito, está o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, alçado à política depois de fazer fama na comédia. O líder ucraniano acusa Putin de cometer crimes de guerra durante a invasão e tem cobrado o Ocidente por medidas mais concretas de apoio a seu país.

O que está acontecendo hoje na guerra da Ucrânia?

No sexto dia da invasão russa na Ucrânia, foram registrados bombardeios em Kharkiv, segunda maior cidade do país. O chanceler ucraniano compartilhou nas redes sociais um vídeo que mostra um prédio do governo sendo atingido por um míssil.

Em Kiev, a prefeitura emitiu nota falando em "noite tranquila", mas, de acordo com imagens captadas por satélite, um comboio de 64 km de extensão formado por forças terrestres russas se aproximava da capital ucraniana. A administração municipal montou estruturas de proteção nas entradas da cidade.

Há relatos de bombardeios em outras importantes cidades ucranianas, como Buzova, Borodianka, Mariupol, Kherson e Chernihiv.

Agora, a expectativa é a de que, após enfrentar problemas logísticos e violar o manual das invasões militares, as forças de Vladimir Putin tornem-se potencialmente mais destrutivas para a Ucrânia.

Na segunda-feira (28), uma rodada de negociações entre delegações de Kiev e Moscou terminou sem avanços na Belarus.

ONGs de direitos humanos, como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, denunciaram que a Rússia tem usado bombas de fragmentação nos ataques na Ucrânia. Esse tipo de munição é proibido em vários países porque amplia a área dos danos e pode multiplicar o número de mortos e feridos.

Como a Ucrânia chegou até aqui?

Nos anos que antecederam a guerra, a Ucrânia esteve no centro de uma disputa geopolítica entre a Rússia e o Ocidente.

Putin, que já havia anexado a Crimeia e insuflado uma guerra civil no leste ucraniano em 2014, quer evitar que o vizinho seja incorporado por instituições ocidentais, como a União Europeia e a Otan (aliança militar liderada pelos EUA).

Agora, o líder russo testa um movimento arriscado para fazer valer seus interesses -alguns analistas avaliam, inclusive, que Putin está movido por orgulho e paranoia.

Se quer dobrar Kiev à sua vontade e tirar o vizinho da órbita potencial da Otan e da UE, o autocrata terá de lidar com o isolamento diplomático que já se desenha contra o Kremlin, com o peso das sanções econômicas contra a Rússia e com o fardo das vítimas do conflito em ambos os lados -além das mortes, já contadas às centenas, há pelo menos 660 mil refugiados e 1 milhão de deslocados internos, segundo agência da ONU.



Qual tem sido a reação dentro e fora da Rússia?

Em resposta ao que veem como uma agressão iniciada por Vladimir Putin, governos do Ocidente adotaram sanções sem precedentes contra a Rússia: bancos do país foram excluídos da plataforma financeira global Swift, a União Europeia fechou seu espaço aéreo para aviões russos e os EUA e aliados bloquearam o acesso do Banco Central da Rússia (BCR) às reservas internacionais.

A reação contra a guerra também chegou ao mundo dos esportes. A Fifa suspendeu a Rússia, que ficará impedida de participar de competições internacionais, como a Copa do Mundo do Qatar. Já o Comitê Olímpico Internacional recomendou aos organizadores de competições internacionais que não convidem atletas russos ou belarussos para participar dos torneios.

Diante da pressão internacional, o rublo despencou, assim como a bolsa de valores de Moscou. A pressão também tem crescido dentro do país, apesar da repressão: ativistas, celebridades e até mesmo oligarcas ligados ao Kremlin se posicionaram abertamente contra a guerra.

Manifestantes violam as leis russas, que proíbem protestos sem autorização prévia, e vão às ruas contra o governo de Putin e sua decisão de invadir a Ucrânia. Segundo a ONG de monitoramento de violência estatal OVD-Info, quase 6.500 pessoas já foram presas nas manifestações.

Na ONU, o Conselho de Segurança fez uma reunião de emergência um dia depois do início da guerra para condenar a invasão da Ucrânia. A resolução, no entanto, foi vetada pela Rússia, que tem o poder de barrar medidas por ser um dos cinco membros permanentes do colegiado.

Houve ainda a convocação de uma sessão extraordinária da Assembleia-Geral, onde diversos países fizeram discursos duros em oposição ao conflito liderado por Moscou. O órgão, porém, não pode aplicar medidas, como sanções ou envio de missões de paz -o que expõe a falta de efetividade das Nações Unidas em questões dessa magnitude.

Mesmo isolado diplomaticamente, Putin mantém a ofensiva e nutre a narrativa bélica -ao determinar, por exemplo, que forças nucleares do país entrem em alerta de combate- ao mesmo tempo em que limita a mídia estatal a se referir à ação russa na Ucrânia com eufemismos como "operação militar especial".



Qual é a posição do Brasil sobre o conflito?

O Brasil tem adotado uma postura dúbia diante dos acontecimentos na Ucrânia.

O presidente Jair Bolsonaro (PL), que se encontrou com Putin em Moscou uma semana antes de o conflito começar, expressou solidariedade à Rússia enquanto o país realizava exercícios militares na fronteira apontados como prenúncio da invasão.

Mais recentemente, o chefe do Executivo defendeu que o Brasil permaneça neutro diante do conflito. "Nós não podemos interferir. Nós queremos a paz, mas não podemos trazer consequências para cá", declarou.

olsonaro também ironizou o fato de Zelenski ter sido comediante antes de assumir a Presidência e disse que era um exagero caracterizar o que ocorre na Ucrânia como um "massacre" -e foi chamado de "mal informado" pelo chefe interino da embaixada ucraniana no Brasil.

O Itamaraty, contudo, tem adotado um tom mais crítico à guerra, embora esteja poupando Putin de críticas. O Brasil apoiou a resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas que pedia o fim da invasão da Ucrânia e voltou a condenar o ataque russo na Assembleia-Geral.

Por outro lado, o país criticou o envio de armas por governos ocidentais às forças ucranianas devido ao risco de escalada do conflito e citou que preocupações de segurança da Rússia foram encaradas com descrédito nos últimos anos.



Como a guerra entre Rússia e Ucrânia afeta a economia do Brasil?

A guerra econômica pressiona o preço de commodities como petróleo, gás natural, trigo e milho e a inflação dos alimentos no mundo e no Brasil deve voltar a acelerar. Economistas avaliam que os conflitos na Ucrânia tendem a gerar um aumento da pressão inflacionária no Brasil, o que pode levar a uma necessidade de juros ainda maiores por parte do Banco Central, e, consequentemente, a um crescimento econômico menor.

A Ucrânia vende cerca de 20% do milho do mercado mundial, um peso relevante, embora fique atrás de EUA, Brasil e Argentina. Ucrânia e Rússia exportam cerca de 30% do trigo comprado pelo resto do planeta. O Brasil é um dos maiores importadores de trigo, o que pressiona preços de produtos como pão e macarrão.

A Rússia é um dos grandes produtores de petróleo, e um conflito militar afeta o mercado do produto. Grandes empresas do setor de energia e de outros setores interromperam atividades no mercado russo. O país também é o principal fornecedor de fertilizantes do Brasil, e os preços do adubo devem subir ainda mais com sanções ao país liderado por Putin.

As sanções impostas à Rússia, como a retirada de bancos do sistema internacional de pagamentos Swift e o congelamento de parte das reservas internacionais, podem inviabilizar o embarque de produtos para o Brasil e até atrasar o desembarque de mercadorias que já estão a caminho. Os gargalos no comércio exterior são mais um fator que deve contribuir para a alta de preços de produtos importados pelo Brasil.

A depender do tamanho da guerra, o impacto sobre a confiança econômica pode ser grande e se estender por pelo menos alguns meses, o que reduziria as perspectivas de crescimento econômico. Investidores temerosos costumam adiar novos projetos ou expansões, o que significa menor oferta de emprego.