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m de leitura Atualizado em 05/03/2022, 06:01

Novo hit de Naiara Azevedo foge de machismo

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de março de 2022

PEDRO MARTINS
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Naiara Azevedo construiu uma carreira calcada em polêmicas. Muito antes de ter entrado no Big Brother Brasil, a cantora acumulava acusações de machismo.

Não que criasse polêmicas só para chamar a atenção. Ela não precisava disso. O clipe de "50 Reais", seu primeiro hit, foi um dos cem vídeos mais vistos do mundo no YouTube em 2016.

O sucesso não a blindou de ter seu trabalho escrutinado. Enquanto muitos cantavam "50 Reais" a plenos pulmões, houve quem visse machismo na letra, que Naiara diz ter escrito após ter sido traída por um namorado. Ao cantar que não sabia se dava na cara de um ou de outro, Naiara chamava de prostituta a "dama" que satisfazia o ex e ainda dava a ele os tais dos R$ 50 para que pagasse pelo sexo.

Ao lançar "Boqueira", foi acusada de machismo outra vez ao cantar que seu desejo era que o ex "pegue uma boqueira e que a rapariga não seja enfermeira". A composição irritou até o Conselho Regional de Enfermagem da Paraíba.

"Não se pode admitir que, sob o manto da liberdade de expressão, ofendam uma coletividade de mulheres enfermeiras, reforçando uma cultura machista e misógina", dizia nota de repúdio.

Ela mudou a letra. A rapariga deixou de ser "enfermeira" para virar "barraqueira".

Rapariga, aliás, é termo recorrente para Naiara. A palavra que, no português de Portugal, diz respeito a uma jovem qualquer, mas no Brasil é um sinônimo pejorativo de prostituta, dava título a outro de seus sucessos lançado na mesma época, "Rapariga Digital".

"Essas periguetes de internet/ rapariga digital/ nunca vão superar uma mulher real", Naiara cantava, acrescentando que, se o namorado a quisesse trair, que traísse com "uma mais bonita do que eu", e não com uma dessas "que todo mundo mordeu".

São músicas que vinham acompanhadas de entrevistas em que Naiara recusava o rótulo de feminista. Ao jornal carioca Extra, por exemplo, ela disse que "o homem é a cabeça", que seu marido era "o chefe da casa" e, portanto, ela tinha de respeitar. Disse ainda ela que nunca decidia onde o casal ia, que "ele é quem resolve tudo", e que tudo isso "era bíblico".

Entre quem não percebia o machismo que atravessava suas letras e quem percebia mas não se importava, houve muita "passação de pano".

Quando Naiara se encontrou com Jair Bolsonaro, as críticas foram mais fortes. Sua foto com Mario Frias, secretário da Cultura, era compartilhada à exaustão nas redes sociais no início deste ano como um dos motivos para a eliminar do BBB. Apoiar Bolsonaro, afinal, o público do reality normalmente não perdoa.

Mas isso tudo Naiara parece querer manter no passado. Depois de ser cancelada no BBB por, entre outras atitudes, dizer que Linn da Quebrada não tinha entrado na casa "como mulher ou como trans, mas como gente", Naiara parece querer se redimir do passado machista.

Prova disso é o dueto que ela acaba de lançar com Marília Mendonça, gravado antes do acidente aéreo que matou a cantora e que chegou às plataformas de streaming após sua equipe ter resolvido uma briga com a família de Marília.

Em "50%", Naiara canta que "um mal amado quando vê uma cerca pula", mas não chama de rapariga a "dama" que satisfaz seu ex. Agora, canta que, se olhou para alguém na rua, se outra mão a deixou toda nua, "50% a culpa é minha/ 50% a culpa é sua".