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m de leitura Atualizado em 10/03/2022, 21:52

Motoristas fazem fila e postos já sobem preço após reajuste da Petrobras (1)

PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de março de 2022

FILIPE ANDRETTA, JOSÉ MATHEUS SANTOS, MARCELO TOLEDO, LEONARDO AUGUSTO E ANDREA TORRENTE
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP, RECIFE, PE, RIBEIRÃO PRETO, SP, BELO HORIZONTE, MG, E CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Motoristas fazem filas em postos de combustíveis de capitais como Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e São Paulo, além de cidades do interior, após a Petrobras anunciar um mega-reajuste de 18,8% na gasolina. Na zona leste de São Paulo, a fila cruzava o quarteirão em posto na avenida São Miguel, em São Miguel Paulista, na tarde desta quinta-feira (10).

Há postos que já subiram o preço dos combustíveis logo após o anúncio, antes do prazo oficial da Petrobras para a alta em suas refinarias. É o caso do San Martin, em Itaquera, também na zona leste. Segundo um funcionário que preferiu não se identificar, o posto está repassando aos consumidores o reajuste que já veio das distribuidoras.

O litro da gasolina subiu R$ 0,30 e passou a ser vendido no local a R$ 6,699. O litro do diesel subiu R$ 0,10 e custa R$ 6,499 (s500) e R$ 6,599 (s10), segundo informou o trabalhador. Em Curitiba (PR), funcionário também mudava o preço do litro da gasolina nesta quinta.

Ao anunciar os reajustes, a Petrobras afirmou que as altas entram em vigor apenas à meia-noite desta sexta-feira (11).

Em Belo Horizonte (MG), as filas aumentaram no início da noite. Cidades do interior de São Paulo também tiveram corrida para encher o tanque, especialmente a partir do final da tarde desta quinta. Em Ribeirão Preto, cuja região é a mais tradicional do país na produção de cana-de-açúcar, o litro da gasolina já subiu ao menos R$ 0,60 em alguns postos, chegando a custar R$ 6,799. A previsão é que, quando o reajuste estiver consolidado nos estabelecimentos, postos estejam comercializando o combustível a mais de R$ 7.

O etanol, combustível derivado da cana, também subiu para R$ 4,199 em postos consultados pela Folha. Na região metropolitana de Ribeirão, o preço já é ainda maior. Em Batatais, postos de bandeira branca (não vinculados a nenhuma distribuidora) vendiam o litro da gasolina a R$ 7,12 já por volta das 12h. Em Franca (400 km de São Paulo), o litro da gasolina chegou a R$ 6,95 nesta quinta, ou 7,8% mais que os R$ 6,45 cobrados no início da manhã. O etanol chegou a R$ 4,95.

Em Foz do Iguaçu, cidade do Paraná localizada na Tríplice Fronteira, motoristas cruzam a fronteira argentina para economizar até 70%, e enfrentam até quatro horas de fila para encher o tanque de carros e motos.

Em Pernambuco, o preço dos combustíveis se aproxima de R$ 10 no arquipélago de Fernando de Noronha. Em um posto de gasolina do arquipélago pernambucano, o litro da gasolina estava em R$ 9,79 na tarde desta quinta-feira.

Na capital Recife, já há postos cobrando o litro da gasolina acima dos R$ 7, chegando a R$ 7,15 em alguns estabelecimentos.

Nas redes sociais, usuários reclamaram dos reajustes imediatos, poucas horas após o anúncio de subida da Petrobras.

A expectativa entre administradores de postos de combustíveis da cidade é que a escalada de preços se intensifique ao longo da sexta (11) e do fim de semana.

José Alberto Gouveia, presidente do Sincopetro, sindicato que representa postos em São Paulo, diz que os aumentos observados nesta quinta-feira decorrem principalmente da redução dos estoques.

"Não tenho informação de alta de preço por parte das distribuidoras hoje [quinta]. Mas houve muitos cancelamentos de pedidos que eram para ter sido recebidos e não foram porque as distribuidoras também tiveram cortes nos pedidos delas. Começa na Petrobras, passa pelas distribuidoras e chega aos postos", afirmou.

Segundo Gouveia, estabelecimentos que estão com os estoques baixos sofrem pressão para aumentar o preço desde já, porque a partir desta sexta (11) terão de renovar os tanques com os novos preços anunciados pela Petrobras.

CONSUMIDOR DEVE DENUNCIAR AUMENTOS, DIZ PROCON

O Procon-SP orientou os consumidores a denunciarem aumentos de preço nos combustíveis durante esta quinta-feira. De acordo com o órgão, o reajuste antecipado configura "prática abusiva e especulativa".

Pressionada pelo avanço das cotações do petróleo com a guerra entre Rússia e Ucrânia, o reajuste de 18,8% na gasolina fará o preço médio passar de R$ 3,25 para R$ 3,86 por litro nas refinarias. Para o diesel, o aumento é ainda maior, de 24,9%. O valor subirá quase R$ 1 por litro, de R$ 3,61 para R$ 4,51.

Com as elevações anunciadas nesta quinta, o preço da gasolina nas refinarias da Petrobras acumula alta de 24,5% em 2022. O preço do diesel vendido pela estatal subiu 35%.

Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), gasolina e diesel custavam, em média, R$ 6,577 e R$ 5,668 por litro, respectivamente, na semana entre 27 de fevereiro e 5 de março nos postos brasileiros. O preço máximo da gasolina comum chegava a R$ 7,859.

Considerando que a gasolina vendida pela Petrobras representa 73% da mistura vendida nos postos —o restante é etanol anidro— o reajuste nas refinarias terá impacto de R$ 0,44 por litro, elevando o preço médio nacional para a casa dos R$ 7 pela primeira vez na história.

Já o preço médio do diesel, considerando que todas as outras parcelas se mantenham inalteradas, chegaria a um valor em torno de R$ 6,40 por litro.

PREÇO DA GASOLINA CHEGA A QUASE R$ 8 NA BAHIA

O consumidor da Bahia foi o primeiro no país a sentir no bolso os impactos da guerra da Ucrânia sobre os combustíveis. O estado é abastecido pela primeira grande refinaria privatizada no Brasil, a Refinaria de Mataripe, que reajustou seus preços no dia 5 de março para acompanhar a alta do petróleo.