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m de leitura Atualizado em 03/03/2022, 18:29

Morre o físico Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras (1)

PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de março de 2022

DANIELE MADUREIRA
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Morreu nesta quinta-feira (3) o físico e ex-presidente da Eletrobras Luiz Pinguelli Rosa, aos 80 anos. Doutor em física, mestre em ciências em engenharia nuclear, Pinguelli foi professor titular da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro); em 2013, recebeu o título de professor emérito da instituição.

O acadêmico estava internado no Hospital São Lucas, no Rio, e a causa da morte não foi divulgada. Ele deixa três filhos. O velório ocorre nesta quinta, entre as 17h e as 19h, no Átrio do Palácio Universitário, no campus Praia Vermelha, na capital fluminense.

Pinguelli Rosa esteve à frente do comando da estatal de energia entre 2003 e 2004, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em nota, a Eletrobras lamentou a perda do ex-executivo, que apontou como "um dos maiores especialistas em energia no país."

"Sua gestão foi marcada pela promulgação das leis que redefiniram o modelo institucional do setor elétrico, em março de 2004, reafirmando as funções da empresa como holding das concessionárias federais. Também neste período, a Eletrobras assumiu a gestão técnica e financeira do Programa Luz para Todos", informou a estatal, em nota.

A UFRJ declarou luto oficial de três dias. "A Reitoria da UFRJ lamenta profundamente a partida de Pinguelli, defensor nato da universidade brasileira e da difusão da ciência e da tecnologia. Seu compromisso com uma universidade de qualidade que transpira pesquisa deixará uma lacuna entre nós e um aprendizado permanente. Transmitimos força aos familiares, aos amigos e à comunidade acadêmica neste momento de consternação", diz comunicado divulgado pela instituição.

Pinguelli foi diretor por quatro mandatos do Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia), da UFRJ, um dos maiores centros de ensino e pesquisa em engenharia da América Latina. Também era membro titular da ABC (Academia Brasileira de Ciências).

Diversos políticos deixaram mensagens de pesar nas redes sociais. "Pinguelli Rosa deu imensa contribuição para a evolução e defesa do sistema energético brasileiro, que hoje está sob ataque de entregadores do país. Fará grande falta", escreveu no Twitter o ex-presidente Lula. "O Brasil perde um dos seus mais renomados cientistas e especialistas em energia", tuitou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

O Observatório do Clima também deixou uma homenagem no Twitter: "O Observatório do Clima lamenta profundamente a perda de Luiz Pinguelli Rosa, cientista que ajudou a enterrar os delírios nucleares brasileiros e a construir as nossas políticas de clima."

De acordo com a UFRJ, Pinguelli foi orientador de dezenas de dissertações de mestrado e teses de doutorado e recebeu diversos prêmios, entre eles o de personalidade do ano de 2014, da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

O acadêmico foi ainda secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, órgão científico do governo brasileiro que estuda o problema do aquecimento global e suas implicações para o país.

Suas áreas atuais de pesquisas se concentravam em planejamento energético, mudanças climáticas, além da epistemologia e história da ciência. As pesquisas de Pinguelli já se dedicaram à engenharia nuclear, física de reatores, física teórica e física de partículas.

Foi ainda pesquisador e professor visitante de diversas universidades no exterior, entre elas, Universidade Stanford (EUA), Universidade da Pensilvânia (EUA), Universidade Grenoble Alpes (França), Universidade de Cracóvia (Polônia) e Centro Internacional de Pesquisa em Meio Ambiente e Desenvolvimento (França).

Membro do Conselho do Pugwash –entidade criada por Albert Einstein e Bertrand Russel–, Pinguelli estava participando do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima), instituição que recebeu o Nobel da Paz em 2007.