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m de leitura Atualizado em 20/01/2022, 18:38

Morre Elza Soares, considerada a cantora do milênio, aos 91 anos (2)

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022


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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cantora Elza Soares morreu aos 91 anos nesta quinta (20), no Rio de Janeiro. Considerada a "voz do milênio" em uma votação de 1999 da rádio BBC de Londres, a artista morreu por causas naturais, aponta nota de sua assessoria publicada nas redes sociais.

"É com muita tristeza e pesar que informamos o falecimento da cantora e compositora Elza Soares, aos 91 anos, às 15 horas e 45 minutos em sua casa, no Rio de Janeiro, por causas naturais", diz a publicação. "Teve uma vida apoteótica, intensa, que emocionou o mundo com sua voz, sua força e sua determinação. A amada e eterna Elza descansou, mas estará para sempre na história da música e em nossos corações e dos milhares fãs por todo mundo."

Filha de operário e lavadeira, Elza Gomes da Conceição nasceu em junho de 1930, no Rio de Janeiro. Ela foi criada na favela de Moça Bonita e, aos 12 anos, foi obrigada pelo pai a se casar com Antonio Soares, conhecido como Alaúde, de quem pegou o sobrenome. Aos 13, ela foi mãe pela primeira vez. Aos 15, já tinha perdido um dos filhos para a fome. Aos 21, já era viúva.

Encaixotadora e conferente em uma fábrica de sabão, Elza começou na música em 1953, quando fez um teste na Rádio Tupi, no programa "Calouros em Desfile". Foi quando deu uma famosa resposta a Ary Barroso, que inclusive deu nome a "Planeta Fome", 34º álbum de sua carreira, e também o último, lançado em 2019.

Na ocasião, o apresentador perguntou a ela, "o que você veio fazer aqui?". "Vim cantar", respondeu Elza. Ele seguiu. "E quem disse que você canta?". "Eu, seu Ary", ela disse. "Menina, de que planeta você veio?", o apresentador continuou. "Do mesmo planeta que você, seu Ary. Eu venho do Planeta Fome", a cantora encerrou.

Em 1959, ela despontou com a música "Se Acaso Você Chegasse", uma composição de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins que também deu nome ao primeiro disco de Elza. A gravação já trazia as credenciais da artista, marcada pelo estilo de canto rasgado.

Ao longo dos anos 1960, ela se estabeleceu como uma das principais intérpretes de samba do país, em discos como "A Bossa Negra" (1960), "O Samba é Elza Soares" (1961), "Sambossa" (1963), "Na Roda do Samba" (1964) e "Um Show de Elza" (1965), além dos duetos com o cantor Miltinho e de parcerias com o baterista Wilson das Neves.

Foi nessa época que ela estabeleceu as bases para o título de Rainha do Samba, que ostentou por muitos anos, mesmo nunca se limitando a ele. "Esse título de rainha do samba ficou para trás. Quem tem coroa aqui? Rainha faminta? Quero não", a cantora disse à Folha em 2019.

Na Copa do Mundo de 1962, vencida pelo Brasil no Chile, Elza aprofundou seu relacionamento com Garrincha, craque do Botafogo e principal nome daquela seleção —Pelé se machucou no mundial. Depois da Copa, o jogador abandonou a família para viver com ela, o que deu à cantora a pecha de "destruidora de lares". ​

Desde 2015, a carreira de Elza teve uma nova guinada com "A Mulher do Fim do Mundo", seu primeiro álbum só de canções inéditas, feitas por músicos como Rodrigo Campos, Kiko Dinucci, Romulo Fróes e Celso Sim.

O disco teve ampla repercussão e, nas palavras do crítico Luiz Fernando Vianna, fez Elza "renascer das cinzas" e ser apresentada a um público mais jovem.

Ela seguiu em toada parecida três anos depois com "Deus É Mulher", outro álbum de 11 inéditas com composições de Tulipa Ruiz, Pedro Luis, Alice Coutinho e Romulo Fróes, entre outros. Foi o último disco em vida da intérprete, que estava preparando um novo álbum desde 2019.