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m de leitura Atualizado em 29/03/2022, 18:34

Morre Elifas Andreato, designer gráfico autor de capas de Chico Buarque e Elis

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terça-feira, 29 de março de 2022


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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Morreu na madrugada desta terça-feira, aos 76 anos, o ilustrador e artista gráfico Elifas Andreato, criador de importantes capas de discos e livros de autores brasileiros. Andreato havia sofrido um infarto e estava internado. A informação foi anunciada por seu irmão, o ator Elias Andreato, numa publicação em sua conta no Instagram.

"Meu irmão mais velho, desde pequenino, rabiscava seus sonhos e ia mudando o nosso destino. Tudo o que ele tocava com as suas mãos virava coisa colorida, até a dor que ele sentia era motivo de tinta que sorria", escreveu Elias Andreato na rede social, em que ele também publicou "obrigado por sua arte".

A partir dos anos 1970, Andreato se destacou ao criar capas de disco marcantes da música popular brasileira, como "Nervos de Aço", de Paulinho da Viola, "Arca de Noé", de Vinicius de Moraes, "Ópera do Malandro" e "Almanaque", de Chico Buarque, e "Luz das Estrelas", de Elis Regina, totalizando mais de 300 trabalhos.

Nascido em Rolândia, no Paraná, em 1946, Andreato se mudou para São Paulo na década de 1960, onde, autodidata, começa a contribuir para publicações sindicais com charges e ilustrações. Em 1967, o autor passou a colaborar com a editora Abril, na qual trabalhou nas revistas Manequim, Claudia, Quatro Rodas e Placar, até chegar ao cargo de chefe de arte do selo Abril Cultural.

Na editora, Andreato foi responsável pela direção de arte da coleção de fascículos "História da Música Popular Brasileira". A partir do contato com jornalistas, materiais de desenho e pintura, livros e revistas de arte proporcionados pelo ambiente jornalístico, ele desenvolveu o estilo gráfico que usou nos seus trabalhos como capista. A linguagem visual do artista também ficou marcada por desenhos figurativos de tipos brasileiros que buscam expressar a cultura popular.

Marcadas pela expressividade, as capas de Andreato fazem uso recorrente do retrato, que ele usava para enfatizar o universo emocional do músico. Na capa do disco "Nervos de Aço", de 1973, por exemplo, Paulinho da Viola é desenhado segurando com um buquê de flores e chorando lágrimas densas.

Nos livros, Andreato ilustrou ainda a capa de "A Legião Estrangeira", reunião de contos de Clarice Lispector publicada em 1979, além da capa de "O Pirotécnico Zacarias", obra de Murilo Rubião lançada em 1974.

Outra fase importante da vida do artista ocorreu durante os anos 1970, quando Andreato deixou a editora Abril para integrar publicações da imprensa alternativa contrária à ditadura, como as do jornal Opinião e Movimento e a revista Argumento.

Em 2009, ele recebeu do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva a comenda da Ordem do Mérito Cultural como homenagem ao conjunto de sua obra.