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m de leitura Atualizado em 30/03/2022, 16:57

'Morbius' é um chato escarcéu de efeitos especiais decepcionantes

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de março de 2022

IEDA MARCONDES
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Adiado em decorrência do coronavírus desde 2020, "Morbius" estreia nas sombras do triunfo monumental de outras adaptações dos quadrinhos, como "Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" e "Batman", com Robert Pattinson. Trata-se do terceiro filme do chamado Universo Homem-Aranha da Sony, após "Venom" e, outro sucesso pandêmico, a sequência "Venom - Tempo de Carnificina".

Criado em 1971 por Roy Thomas e Gil Kane, Michael Morbius é uma adaptação pseudocientífica do bom e velho conde Drácula. Nos quadrinhos, o doutor Morbius é um bioquímico que buscava a cura de sua doença sanguínea e acabou contraindo impulsos vampirescos, se tornando o Vampiro Vivo --um inimigo para Blade, Motoqueiro Fantasma e, é claro, o Homem-Aranha.

Interpretado no filme por Jared Leto, ator responsável pela versão mais execrável do Coringa em "Esquadrão Suicida" --e também por alguns dos momentos mais sofríveis de "Casa Gucci"--, Morbius agora recebe o mesmo tratamento de anti-herói dado ao vilão Venom, tão simpático na performance esquizofrênica de Tom Hardy.

Além de Leto, o elenco conta com Matt Smith como Milo, amigo de infância de Morbius; Adria Arjona como a doutora Martine Bancroft, o interesse romântico do protagonista; um desperdiçado Jared Harris como Nicholas, o mentor do anti-herói; e, unidos pela caça ao vampiro, dois agentes do FBI interpretados por Tyrese Gibson e Al Madrigal.

Com um orçamento relativamente modesto de US$ 75 milhões --nem metade do custo da produção de "Sem Volta para Casa"--, "Morbius" é dirigido pelo sueco Daniel Espinosa, diretor da ficção científica "Vida" e do suspense "Crimes Ocultos" --produções com estrelas renomadas, mas que não causaram grande impressão na crítica.

Pelos trailers, "Morbius" seria uma tentativa de conectar ainda mais o Universo Homem-Aranha da Sony com o Universo Cinematográfico Marvel, da Disney, dada a participação de Michael Keaton como Adrian Toomes, o Abutre de "Homem-Aranha: De Volta ao Lar". Na cena pós-crédito de "Venom - Tempo de Carnificina", Tom Holland já havia aparecido como o aracnídeo e, em "Sem Volta para Casa", Tom Hardy retornou a cortesia.

Os "easter eggs" dos trailers, contudo, também fazem alusão aos Homens-Aranha de Andrew Garfield e de Tobey Maguire. Ou seja, em qual realidade "Morbius" se passaria? Depois de quase dois anos de especulações dos fãs, a resposta é decepcionante. O Vampiro Vivo habita o mesmo universo de Venom, embora ele não apareça --e o Abutre tenha sido relegado ao pós-créditos.

Em dezembro, havia rumores de que Michael Keaton estava gravando cenas adicionais para "Morbius", mas a sua participação na trama principal, tão ostentada na campanha de marketing, é pura propaganda enganosa, uma mentirinha --nos Estados Unidos, afinal, o filme estreia oficialmente em primeiro de abril.

Colocando as aguardadas conexões com o Universo Cinematográfico Marvel de lado, "Morbius" ainda fracassa em todos os departamentos. Os efeitos especiais são ruins e atrapalham a ação. O protagonista deixa rastros quando se movimenta e, às vezes, é difícil de entender o que está acontecendo --sobretudo, no embate final, mais um escarcéu em CGI.

Com roteiro assinado por Matt Sazama e Burk Sharpless, roteiristas de bombas como "Deuses do Egito" e "Power Rangers", as tentativas de humor, obrigatórias em filmes de super-heróis, são desastradas. A todo instante, os personagens declaram as suas motivações, sempre da forma mais rasa e simplória possível, caso o espectador seja burro.

Há uma cena, envolvendo um corredor de hospital, em que o gênero do terror é mais bem explorado, com direito até mesmo a um sustinho --mas, em geral, "Morbius" é uma oportunidade perdida de fazer algo voltado aos trevosos. No filme, há um navio chamado "Murnau", uma referência ao diretor alemão de "Nosferatu", mas as associações com o clássico param aí.

Tecnicamente falando, "Venom" e sua sequência também não são filmes bons, mas conseguem divertir pela bobeira da relação entre Eddie Brock e o simbionte rabugento. Já no caso de "Morbius", no entanto, não há nada que se salve. É de uma ruindade que não é grotesca o suficiente para sequer tornar a obra charmosa ou engraçada.

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MORBIUS

Quando: Estreia nesta quinta (31)

Onde: Nos cinemas

Classificação: 14 anos

Elenco: Jared Leto, Matt Smith, Adria Arjona

Produção: EUA, 2022

Direção: Daniel Espinosa

Avaliação: Ruim