Médico Carlos Gilberto Carlotti fica em 1º em eleição para reitor da USP


VICTORIA DAMASCENO
VICTORIA DAMASCENO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O médico Carlos Gilberto Carlotti, professor titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, ficou em primeiro lugar na eleição interna para definir o novo reitor da USP (Universidade de São Paulo). A escolha se deu por meio de votação indireta, mas seu nome ainda terá que ser confirmado pelo governador João Doria (PSDB).

Em seu programa de gestão Carlotti defende a contratação de docentes, recomposição salarial de professores e servidores, aumento de políticas de inclusão social, o fortalecimento dos programas de pós-graduação, a internacionalização da universidade e outros.

A chapa composta por Gianotti é a "USP Viva", que tem como candidata a vice-reitora Maria Arminda do Nascimento Arruda, professora da FFLCH (Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas). Já a concorrente, "Somos todos USP", tem como titular Antonio Carlos Hernandes, professor do IFSC (Instituto de Física de São Carlos), e como candidata a vice-reitora Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, docente da FOB (Faculdade de Odontologia de Bauru), todos de institutos da USP.

Os dois candidatos fazem parte da gestão do atual reitor Vahan Agopyan, e tiveram que se licenciar da docência e de suas funções na reitoria para concorrer à vaga. Carlotti atua como pró-reitor de pós-graduação, enquanto Hernandes como vice-reitor.

A eleição foi realizada nesta quinta-feira (25) por meio de um sistema eletrônico de votação e contabilização dos votos. O pleito ocorreu de forma indireta por meio da Assembleia Universitária, composta pelo Conselho Universitário, pelos conselhos centrais (de Graduação, Pós-Graduação, Pesquisa e Cultura e Extensão Universitária), conselhos deliberativos dos museus e institutos, e pelas congregações das unidades, que totalizam cerca de 2.121 pessoas.

Cada eleitor poderia votar em até duas chapas, sendo que 2.002 registraram seus votos. A "USP Viva" recebeu 1.156 voto, enquanto a "Somos todos USP", 795. O dirigente escolhido pelo governador será parte da 28ª gestão da reitoria da universidade, e tomará posse no dia 25 de janeiro de 2022, tendo pela frente um mandato de quatro anos.

A partir da eleição é formada uma lista tríplice para a escolha do nome do próximo reitor pelo governador. Neste ano, porém, são somente dois candidatos, então serão indicados apenas os nomes de suas chapas.

A escolha do novo reitor pelo governador costuma ser uma formalidade, visto que em quase todas as ocasiões os candidatos mais votados pelo colégio eleitoral foram nomeados. Apenas na gestão de José Serra (PSDB), em 2009, quando optou pelo segundo lugar, o jurista e diretor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, João Grandino Rodas, e durante a ditadura militar, quando Paulo Maluf escolheu o diretor da Escola Politécnica Antônio Hélio Guerra Vieira, candidatos menos votados foram escolhidos.

Na última segunda-feira (22), foi realizada uma consulta à comunidade universitária para que indicassem sua preferência entre as chapas. Na ocasião, a "USP Viva" teve a preferência dos docentes, e alunos de graduação e pós-graduação, enquanto a "Somos todos USP" recebeu mais votos dos servidores técnicos e administrativos.

A consulta tinha como objetivo indicar a preferência da comunidade à Assembleia Universitária, responsável pela eleição das chapas.

No momento em que a universidade alcançou o patamar de mais de 50% dos alunos oriundos de escolas públicos, dos quais 44,1% autodeclarados pretos, pardos ou indígena, o candidato mais votado desta sexta promete implementar uma pró-reitoria dedicada a cuidar das ações de permanência estudantil, políticas de inclusão social, étnico-raciais e de gênero.

Um dos gargalos da universidade quando o assunto é a entrada de alunos cotistas é a permanência estudantil, visto que a USP tem número limitado de bolsas de moradia, alimentação, transporte e outras. No programa de gestão a chapa salienta que busca priorizar o financiamento da permanência dos alunos, mas pouco específica quais as medidas a serem adotadas.

A gestão também afirma que irá fortalecer a internacionalização da universidade, discutindo, por exemplo, a possibilidade de se propor a dupla-titulação de docentes com universidades estrangeiras -com contratos aprovados pela USP-, além da manutenção do programa de estímulo a mobilidade de discentes e docentes, e do aumento dos cursos de línguas.

Uma das políticas de Carlotti diz respeito à recomposição salarial dos docentes com base na inflação e a proposta de um aumento real nos próximos quatro anos, além da admissão de novos professores. A proposta vai no sentido oposto ao congelamento dos salários e das novas contratações dos últimos anos devido a crise financeira enfrentada na universidade. A chapa também propõem a recomposição pelas perdas inflacionárias para os servidores da universidade.

"Precisamos recompor o número de docentes na Universidade após um longo período de diminuição das contratações, evitando sobrecargas em algumas atividades. Garantir que os novos docentes tenham apoio inicial nas suas carreiras, incluindo infraestrutura para suas atividades", diz o programa de gestão da chapa "USP Viva".

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