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m de leitura Atualizado em 19/01/2022, 20:56

Lula diz que desigualdade tem de ser prioridade, não o teto de gastos

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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

VICTORIA AZEVEDO
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Lula (PT) afirmou que a desigualdade social deve ser colocada como prioridade do governo federal, e não o teto de gastos. O petista também disse que é preciso colocar em segundo plano o "compromisso fiscalista" do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Lula afirmou que tal compromisso fiscalista da atual gestão faz de tudo "para garantir dinheiro para pagar ao sistema financeiro e não faz nada para garantir o pagamento da dívida social que é histórica em nosso país".

"É preciso que a gente recupere a democracia para que a gente possa colocar a desigualdade na ordem do dia como prioridade de um governo e não colocar como prioridade o teto de gastos", disse ele. As declarações foram dadas em entrevista com jornalistas na manhã desta quarta-feira (19).

Na conversa, o ex-presidente também disse que o sistema financeiro terá de aprender que não deve discutir apenas os seus interesses, mas sim considerar os problemas do país. "Precisamos discutir quem está preocupado com os milhões de brasileiros que estão dormindo na rua. Temos que discutir porque a massa salarial tem caído tanto nesse país, diminuindo o poder aquisitivo, e porque 74% das famílias estão endividadas", seguiu ele.

O petista afirmou ainda na entrevista que é necessário começar a fazer perguntas "para aqueles que sempre fizeram perguntas para a gente".

"Toda vez que a gente vai num debate, as pessoas se inscrevem para fazer pergunta. 'E a dívida fiscal? E a dívida pública interna? E a dívida pública externa? E a taxa de juro?' Ou seja, ninguém pergunta como está vivendo o povo brasileiro", afirmou.

O petista também afirmou que para solucionar problemas no país é preciso, em primeiro lugar, "colocar o pobre no orçamento e, em segundo lugar, colocar o rico no Imposto de Renda".

Lula disse ainda que a decisão de concorrer à Presidência só tem sentido se "tiver um compromisso de fé". "Não posso querer ser presidente para resolver o problema do sistema financeiro, o problema dos empresários, o problema daqueles que ficaram mais ricos na pandemia. Só tem uma razão de eu ser candidato a presidente da República: é para tentar provar que esse povo pode voltar a ser feliz", disse.

"Esse país não é meu, não é seu. Ele é nosso. E envolve os negros, os índios, os desempregados, gente que mora nas periferias. É esse o povo que tem que ajudar a dizer em qual país nós queremos crescer. E não apenas a avenida Faria Lima, a Bolsa de Valores. Eles também serão ouvidos, mas eles têm que aprender que existem outros setores importantes para decidir qual Brasil nós vamos querer."

No último Datafolha, divulgado em dezembro, Lula apareceu liderando nas intenções de voto. Em uma simulação de segundo turno com o atual mandatário, o petista pontua 59% contra 30% de Bolsonaro.