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m de leitura Atualizado em 25/03/2022, 16:26

Lollapalooza traz Turnstile com rock pesado, mas que prefere dança à cara feia

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de março de 2022

LUCAS BRÊDA
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Turnstile, banda americana de hardcore, se apresentou no palco principal com uma plateia esvaziada, mas não poupou de barulho e energia os fãs que foram ao Autódromo de Interlagos para vê-los. Foi um show direto, sem firulas, acompanhado pelo público com rodas de cabeça que não pararam do começo ao fim.

A tarde de sexta-feira, tradicionalmente o primeiro dia da programação oficial do Lollapalooza Brasil, costuma ser o pior momento para os shows. Isso porque as apresentações acontecem em horário comercial, e o público costuma chegar mais tarde, depois do trabalho.

Mas não foi o caso do Turnstile que tocou para uma plateia, diferente do que foi, por exemplo, para o Detonautas, atração que subiu ao palco Budweiser --mesmo do Turnstile-- poucas horas antes. Nem por isso a apresentação perdeu em animação.

Formada há mais de dez anos em Baltimore, nos Estados Unidos, o Turnstile despontou na cena local de hardcore, mas chamou a atenção fora de seu país em 2018, com o disco "Time & Space". Nos primeiros lançamentos, a banda ainda era limitada ao seu gênero-base, com letras curtas, vocais gritados e um cardápio rico de riffs de guitarra.

A coisa mudou de figura em julho do ano passado, quando o quinteto lançou "Glow On". Diferente de tudo que eles tinham feito até na capa cor de rosa, o álbum une o rock despudorado do grupo com grooves suingados, letras sentimentais e momentos de reflexão --incluindo a participação do cantor britânico de indie Blood Orange.

O álbum alçou o Turnstile à parada de sucesso americana e também foi bem recebido pela crítica. Com "Glow On", o grupo deixou de ser apenas mais uma banda talentosa de hardcore para ter uma identidade própria, que vai muito além das premissas do gênero.

O setlist varia músicas dos dois últimos álbuns do grupo, com destaque para abertura com "Mistery", com um público ainda chegando perto do palco, "Real Thing" e "Blackout", que acenderam a plateia.

O Turnstile faz um hardcore heterodoxo, que abre espaço para a dança e para o movimento. É uma banda de rock pesado, mas que não se limita à cara feia e evoca a energia --é música que conversa diretamente com o corpo.

Os únicos momentos em que os bate-cabeça pararam foram nas músicas mais calmas, como "Underwater Boi" e "Alien Love Call" --esta, evocou um dos coros mais bonitos do show. "Wild Wrld" e as derradeiras "Holiday" e "TLC" elevaram os ânimos novamente.

Num momento de pouca relevância comercial do rock, o Turnstile ainda sofreu por ser a banda mais suja e pesada da escalação de sexta. Ainda assim, conseguiu virar o jogo com energia e movimento.