Líderes de partidos veem rejeição recorde no Datafolha como sinal de inviabilização eleitoral de Bolsonaro


FÁBIO ZANINI, FABIO SERAPIÃO E GUILHERME SETO
FÁBIO ZANINI, FABIO SERAPIÃO E GUILHERME SETO

SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Para presidentes de partidos, a rejeição recorde de 53% alcançada pelo governo Jair Bolsonaro em pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (16) aponta para a inviabilização da reeleição do mandatário em 2022.

A oscilação dentro da margem de erro em relação ao recorde apontado em levantamento feito em julho, de 51% de reprovação no Datafolha, dá sequência à curva ascendente desde dezembro do ano passado.

Gilberto Kassab, do PSD, fala de um desembarque contínuo dos setores que um dia apoiaram em peso o presidente.

"Do ponto de vista político, é um governo que não se encontrou, não conseguiu dar respostas. Na pandemia, não conseguiu mostrar que estava empenhado, até pela postura negacionista de parte do governo, gerando afastamento da população", avalia.

"O governo já não dá sinais de que vai conseguir ser bem sucedido em outros desafios. Economia, inflação que volta, preço da carne, da luz, crise hídrica, tudo isso contribui para que exista insegurança crescente da população brasileira", completa Kassab.

Para Baleia Rossi, do MDB, não há perspectiva de recuperação da economia a partir de qualquer planejamento apresentado pelo governo federal.

"O governo precisa gastar energia e se preocupar com problemas reais. A vida da população está piorando, e a gente não tem perspectiva de recuperação da economia, de geração de emprego e renda. A inflação comendo a renda de todos, principalmente de alimentação", analisa.

"Acendeu a luz amarela. O Datafolha demonstra que a eleição vai ser muito difícil. Só com o público fiel ele não tem condições de ganhar a eleição. Ele teria que ampliar", completa o emedebista.

Na oposição, Carlos Lupi (PDT) diz que Bolsonaro está derretendo como um boneco de neve sob o sol.

"A pesquisa demonstra que o 7 de Setembro foi o começo do fim dele. Essa radicalização boba dele, contra os Poderes e a Constituição, isso tudo vai acumulando com inflação, altas no gás e na gasolina, desemprego. O conjunto da obra colocou ele na beira do precipício. Se derrapar, cai", diz Lupi.

"Daqui para frente a tendência é piorar cada vez mais. Não vejo solução para inflação e desemprego. Consolida-se um segundo turno dos sonhos, com Lula e Ciro Gomes, sem Bolsonaro", afirma, defendendo seu presidenciável.

Gleisi Hoffmann, do PT, diz que não há mágica que conserte a administração bolsonarista: "quanto mais a vida do povo piora, mais aumenta a rejeição a Bolsonaro."

A aprovação a Bolsonaro na faixa mais pobre da população caiu de 21% em julho para 17% agora. Esta é a menor marca no segmento desde o início do governo e representa uma queda de 20 pontos de popularidade desde o fim do ano passado, quando foi paga a última parcela de R$ 300 do auxílio emergencial.

"Isso vai pavimentando o caminho para fragilizá-lo mais politicamente", completa a deputada.

Os presidentes têm visões diversas a respeito do efeito das falas antidemocráticas de Bolsonaro nos atos de 7 de Setembro sobre a sua popularidade.

Para Kassab e Lupi, houve influência na reprovação do presidente.

"Teve grande repercussão e as frases foram muito infelizes. O cidadão brasileiro fica inseguro. O presidente se manifestando pelo não acolhimento de decisões judiciais gera insegurança, o que gera posicionamento negativo", afirma o pessedista.

Para Baleia Rossi, Bolsonaro conseguiu acenar para sua bolha, mas não conseguiu ampliar seu escopo de influência, o que é indispensável para que ele possa pensar em continuar no cargo por mais um mandato.

"Para ele foi importante porque mantém a torcida dele. Mas teve pouca influência fora da bolha, para além dos fiéis a ele", afirma.

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