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m de leitura Atualizado em 18/03/2022, 19:04

Líder religioso suspeito de violação sexual é preso no Pará

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de março de 2022

EDUARDO LAVIANO
AUTOR autor do artigo

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BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil do Pará prendeu na manhã desta sexta-feira (18) o líder do grupo religioso Missão do Espírito Santo, Paulo Paumgarten Sabino de Oliveira, no município de Marapanim, a 160 km de Belém.

Ele é suspeito de crime de violação sexual mediante fraude pelo abuso de pelo menos quatro mulheres ouvidas pela investigação que deu origem à operação Sétima Frequência, que também ocorreu em domicílios de Oliveira em Belém. A Polícia Civil não informou o nome da advogada do suspeito, que seria uma de suas filhas.

Ainda segundo a polícia, houve um flagrante de pornografia infantil no momento da prisão, com imagens encontradas no computador da casa de Oliveira.

Segundo os depoimentos das vítimas relatados pelos investigadores, o líder submetia mulheres a banhos curativos e aproveitava a situação para tocar as partes íntimas das pacientes. Em alguns casos, segundo a polícia, ele chegou a concretizar relações sexuais sob o pretexto de que estaria possuído por entidades curativas.

"Ele também pedia fotos e vídeos do que ele chama de chakra-básico, as partes íntimas, via WhatsApp. E as pacientes enviavam", afirma a delegada Mikaella Ferreira, responsável pela operação que envolveu 43 policiais.

Casos de líderes religiosos suspeitos de abuso sexual têm sido alvo de operações policiais. Em dezembro, um homem foi preso em flagrante no Crato, no interior do Ceará, suspeito de dopar vítimas com remédios e bebida alcoólica e cometer estupro, abuso sexual, tortura e lesão corporal, segundo a Polícia Civil.

O espaço em Belém era denominado pelo suspeito como "centro de aperfeiçoamento do caráter cristão".

O que mais chamou a atenção da polícia ao longo da investigação foi o fato de que oito das seguidoras de Paulo vivem com ele em uma mesma casa, no bairro de Fátima, em Belém. Uma delas tem 12 anos.

Duas delas foram adotadas legalmente por ele e uma delas teve o nome dos pais biológicos retirados da certidão de nascimento, algo que a delegada avalia como muito difícil sem algum tipo de influência política.

"Mas as outras também se consideram filhas dele, se referindo a ele como pai mesmo sem formalização legal", afirma Ferreira.

Segundo os depoimentos colhidos pela polícia, as seguidoras que vivem com Paulo precisaram pedir autorização para sair de casa e são elas que sustentavam Paulo e as operações da Missão do Espírito Santo com os próprios salários, dados integralmente para Paulo.

Além disso, elas possuem uma tatuagem com uma pomba branca e o nome "Paulo Paumgarten", ainda de acordo com a apuração.

Dentro do organograma do grupo, as mulheres são divididas em primeira e segunda corrente. Elas são em maioria de classe média, de 20 a 50 anos, entre advogadas, servidoras públicas e até uma médica que abriu uma clínica popular com Paulo para custear a Missão.

Uma das residentes da casa, porém, tem 12 anos de idade. Segundo a delegada responsável, as mulheres que procuram Paulo estão passando por alguma fragilidade emocional, o que facilita as ações do líder da seita. O centro religioso não é aberto ao público e só pode ser acessado mediante convite.

Paulo respondeu em 2013 um inquérito de estupro de vulnerável de duas adolescentes, ambas de 12 anos e filhas de frequentadores do grupo. Ele chegou a ser indiciado pela polícia na época, mas a denúncia foi arquivada.

A Missão do Espírito Santo existe desde 2008. Segundo a polícia, quando o suspeito conheceu o grupo, inicialmente dedicado a estudos bíblicos, logo se tornou líder por conta da boa oratória e poder de convencimento. Nesta época, ele era procurador do Tribunal de Contas do Município de Pacajá, sudoeste do Pará.

Ele tem 68 anos e se apresenta, segundo a polícia, como um ser evoluído na Terra, que se desprendeu dos prazeres da carne e da libido e já está equiparado espiritualmente a Padre Cícero, São Tomás de Aquino e Jesus Cristo.

A delegada Mikaella Ferreira acredita que, considerando o tempo em que a Missão está em atividade, o número de vítimas deve ser bem maior do que as quatro denunciantes. "Esperamos que após a operação outras mulheres consigam reunir forças para nos procurar."