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m de leitura Atualizado em 11/03/2022, 21:57

Juros sobem com alta da inflação e aumento dos combustíveis (1)

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de março de 2022

CLAYTON CASTELANI
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os contratos de juros de referência para empréstimos bancários e financiamentos ao consumidor brasileiro voltaram a subir nesta sexta-feira (11), dia em que um mega-aumento dos combustíveis da Petrobras entrou em vigor e, além disso, houve a divulgação da maior inflação mensal para fevereiro desde 2015.

Com dois avanços diários consecutivos, a taxa DI (Depósitos Interbancários) de curto prazo –para janeiro de 2023– encerrou o dia em 13,2% ao ano. Uma alta de 0,29 ponto percentual em relação aos 12,9% do fechamento da última quarta-feira (9), antes do anúncio da alta dos preços de gasolina, diesel e gás.

Contratos DI são negociados exclusivamente entre bancos, mas servem de referência para financiamentos e empréstimos em geral. A alta dos DIs revela que o mercado está esperando um aumento mais agressivo da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central. Tornar o crédito mais caro é uma das ferramentas que a autoridade monetária possui para tentar frear a inflação.

A taxa básica de juros do Brasil está em 10,75% ao ano, uma das mais elevadas do mundo em relação à expectativa de inflação anual do país, que é de 5,65%. Analistas avaliam que a Selic subirá mais e encerrará 2022 acima de 12%.

"O IPCA [inflação oficial] veio pior do que o esperado", comentou Jansen Costa, sócio da Fatorial Investimentos. "Com esses dados, a expectativa de aumento de juros pelo Copom agora é maior", disse. Ele também reforçou que o impacto do aumento da gasolina só será refletido na inflação oficial a partir do próximo mês.

Enquanto investidores interpretavam os sinais internos da economia e a evolução dos efeitos da guerra da Ucrânia nas finanças globais nas primeiras horas desta sexta, Bolsa e câmbio do Brasil chegaram a oscilar entre altas e baixas.

À tarde, o viés pessimista se consolidou. O Ibovespa, índice de referência do mercado de ações do país, mergulhou 1,72%, a 111.713 pontos. O indicador caiu 2,41%. Essa é a maior queda semanal desde o recuo de 3,1% da semana encerrada em 19 de novembro do ano passado. No acumulado de 2022, a Bolsa sustenta uma alta de 6,57%.

Setores como construção civil e de varejo, tradicionalmente prejudicados pela alta dos juros, ajudaram a puxar a Bolsa para baixo. O destaque negativo foi a construtora MRV, que afundou 11,89%.

O dólar subiu 0,71%, cotado a R$ 5,0530. Na semana, a moeda recuou 0,49%. Juros altos tendem a atrair investidores estrangeiros para o país e isso, em tese, deveria gerar uma tendência de baixa da moeda americana devido à entrada de dólares no país. Mas o resultado nesta sexta foi diferente.

A crise geopolítica na Europa e a inflação nos Estados Unidos direcionaram a alta do câmbio nesta sessão, segundo Fernanda Mansano, economista-chefe da plataforma de investidores TC. "O dólar hoje foi influenciado por questões internacionais", afirmou.

No 16º dia da guerra da Ucrânia, tropas russas expandem ataques no entorno da capital ucraniana Kiev. O agravamento do conflito faz crescer preocupações sobre as consequências para a economia mundial.

É nos ativos ligados ao dólar que investidores procuram proteção em períodos de incerteza. Nesta sexta, a divisa americana se valorizou em relação a 19 entre 24 moedas de países emergentes presentes em uma lista acompanhada pela agência Bloomberg. O real foi a segunda divisa com pior retorno à vista frente à moeda americana.

Sem perspectivas de solução para o conflito, a expectativa de severa redução da oferta de petróleo russo seguiu pressionando a alta da commodity no mercado internacional. O barril do Brent subia 2,76%, a US$ 112,35 (R$ 564,54) no início da noite.

As ações da Petrobras não acompanhavam a valorização da commodity. Pelo contrário. A petroleira controlada pelo governo perdeu 3,59%, devolvendo com troco todo o ganho de 3,5% da véspera que havia sido obtido com o anúncio da alta dos combustíveis.

Petróleo e derivados estão no centro da pressão inflacionária global. Nos Estados Unidos, a alta nos preços ao consumidor acumulada em 12 meses alcançou 7,9% em fevereiro, o pior resultado para o mês em 40 anos.

Analistas da Genial Investimentos avaliam que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) iniciará o ciclo de aumentos da taxa básica de juros nos Estados Unidos na próxima semana, com uma elevação de 0,25 ponto percentual para encerrar 2022 com juros de 2,5% ao ano. Hoje a taxa americana está praticamente zerada.

Elevações nos juros podem atrair investidores para os títulos do Tesouro americano. Isso costuma reduzir a disponibilidade de capital para aplicações em ações de empresas em todo o mundo. Além disso, o crédito mais caro aumenta o custo operacional de empresas endividadas.

No mercado americano de ações, o índice de referência S&P 500 recuou 1,30%. O indicador Dow Jones, que concentra empresas de menor valor e menos dependentes de crédito, cedeu 0,69%. Já a Nasdaq, bolsa que reúne companhias que precisam de crédito barato para crescer, mergulhou 2,18%.