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m de leitura Atualizado em 27/02/2022, 11:07

Guerra na Ucrânia já afeta cooperações internacionais no espaço

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domingo, 27 de fevereiro de 2022

SALVADOR NOGUEIRA
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Tradicional arena para cooperação internacional, a indústria espacial está sofrendo um arrastão com a guerra na Ucrânia. Consequências de longo prazo certamente virão, mas os primeiros movimentos já começaram. E todo mundo tem algo a perder.

Em resposta à invasão russa, na sexta (25) o presidente americano, Joe Biden, anunciou um pacote de sanções econômicas e mencionou que elas prejudicariam importações e "degradaria sua indústria aeroespacial, incluindo seu programa espacial".

A resposta veio de Dmitry Rogozin, chefe da Roscosmos (agência espacial russa), via Twitter. Chamando as ações de "Sanções de Alzheimer", ele apontou a dependência americana em vários projetos de cooperação, dentre eles a Estação Espacial Internacional, que precisa da propulsão fornecida pelos cargueiros russos Progress para evitar colisões com detritos espaciais.

A Nasa em seguida colocou panos quentes, dizendo que "as novas medidas de controle de exportação permitirão a continuação da cooperação espacial civil EUA-Rússia" e que "não há mudanças previstas para o apoio da agência a operações em órbita e em estações de solo". Mas o incêndio continua.

No sábado (26), Rogozin anunciou que a Rússia recolherá todas as suas equipes trabalhando em Kourou, na Guiana Francesa, em preparação para um lançamento em abril de dois satélites do programa Galileo (o GPS europeu) num foguete Soyuz. A carga útil ficou sem carona, e a medida obviamente terá impacto no futuro da cooperação entre russos e europeus para voos dos foguetes Soyuz a partir do espaçoporto sul-americano. A longo prazo, perda para os russos. Rogozin também suspendeu a participação americana na missão venusiana russa Venera-D, e há apreensão quanto à cooperação entre russos e europeus na missão marciana ExoMars.

De lado a lado, há cálculos para saber o tamanho do estrago. A empresa americana ULA já anunciou que tem motores russos RD-180 suficientes em estoque para concluir as dezenas de missões contratadas com o lançador americano Atlas V. Já a americana Northrop Grumman vê uma situação mais incerta com seu foguete Antares, que tem elementos fabricados na Ucrânia e motores construídos na Rússia. A companhia diz ter componentes para mais dois lançamentos, mas, depois disso, será preciso buscar outro foguete para levar seus cargueiros Cygnus à Estação Espacial Internacional.

Por sinal, o complexo orbital liderado conjuntamente por EUA e Rússia é o melhor exemplo da codependência atingida no espaço. Sem o lado americano é impossível estabilizar a estação, e sem o apoio russo não se pode elevar periodicamente a órbita para evitar que ela mergulhe na atmosfera. Daí a convicção de que, ao menos num primeiro momento, ela não será afetada. Mas a tensão coloca em risco o futuro mais distante do complexo, inclusive o recente anúncio da Nasa de mantê-la em operação até 2030.