SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Grandes redes de restaurantes afirmam que vinham tentando segurar o repasse do aumento dos custos para os consumidores, mas chegaram no limite com a inflação da alimentação do setor de food service acima de 13% em 12 meses, segundo a ANR (associação de restaurantes).

A entidade, que reúne empresas como McDonald’s e Burger King, diz que não há como definir um padrão de acréscimo, mas as redes estão tentando repassar um valor abaixo da alta dos insumos.

O Bob’s afirma que está ajustando seus preços de acordo com a inflação e o movimento do mercado. A rede lançou sanduíches de frango com preço abaixo dos lanches de carne bovina. A empresa também tem feito promoções.

A Bloomin’ Brands, dona do Outback, diz que o desafio está grande com o aumento no preço da carne e dos produtos importados. A rede promete reajustes aos clientes abaixo da inflação e diz que, para mitigar as altas, tem feito ações de revisão da operação e negociação com fornecedores.

O problema também atinge os restaurantes de menor porte, que têm mudado os cardápios e repassado os preços aos clientes.

Nas redes Lanchão, Old Dog e X Picanha, que têm 60 lojas em quatro estados, estão programados um ou dois aumentos por ano, mas em 2021 já foram feitos quatro. E um novo repasse está previsto para outubro ou novembro, segundo o dono dos restaurantes, Roger Domingues.

No JapaUm Sushi, a proteína é o principal problema. Neste ano, o salmão passou de R$ 34 para R$ 51,90 o quilo, diz o dono da casa, João Lessa. O aumento no preço da gasolina também preocupa, e já deixou o frete mais caro para os clientes.

No Rancho Colonial Grill, os repasses são feitos gradualmente. De junho até agora, foram de 15%, mas um novo aumento de 10% seria urgente, segundo o proprietário Sérgio de Simone.