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m de leitura Atualizado em 10/03/2022, 15:39

Gabriel Boric assume no Chile com críticas da esquerda e sob aura da tradição

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quinta-feira, 10 de março de 2022

SYLVIA COLOMBO
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BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Entre as sólidas tradições cerimoniais chilenas para a posse do novo presidente, grandes desafios e já com uma onda de críticas por parte de seus eleitores da própria esquerda, Gabriel Boric assume o comando do país nesta sexta-feira (11).

oric vem enfrentando duras críticas de parte da esquerda que o elegeu depois de montar um gabinete de ministros de centro-esquerda, mais moderado; defender um ritmo gradual para as reformas tributária e da previdência; e não dar garantias imediatas de libertação aos chamados "presos políticos", pessoas privadas de liberdade durante os protestos de 2019 e nos conflitos por terra no sul do Chile.

"Sem dúvida, [os eleitores de esquerda] serão aqueles que farão mais cobranças nesse início de governo. Para ganhar a eleição, Boric foi ao centro o máximo que pôde e assim perdeu espaço na esquerda. Terá de mostrar vontade de implementar mudanças rapidamente ao mesmo tempo que enfrenta os problemas que herda", diz à Folha a analista política Claudia Heiss.

Um dos temas que não poderá esperar é o do estado de exceção, que militarizou o sul e o norte do país e cujo prazo está por vencer.

No sul, a situação com os grupos mapuche parece ter se acalmado, mas no norte, na região de Iquique, a tensão persiste. A nova ministra de Interior, Izkia Siches, manifestou a possibilidade de levar ao Congresso uma proposta de renovação do estado de exceção e a militarização do norte do país, onde há enfrentamentos por conta da chegada contínua de imigrantes ilegais.

"Se Boric assume e logo de cara envia ao Congresso o pedido de usar um recurso duro, como os que usou Piñera, haverá protestos. Se for necessário mandar os carabineros para reprimir protestos por isso, esse governo terá começado mal, pelo menos em relação a suas promessas", afirma Heiss.

Mas nem tudo será problema neste dia 11. Santiago se prepara para uma festa popular na Alameda (principal avenida da capital), à noite, depois da cerimônia protocolar que ocorre durante o dia na cidade de Valparaíso, onde funciona o Congresso do país.

Boric, 36, assume depois de vencer no segundo turno o ultradireitista José Antonio Kast por 55,87% contra 44,13% no último dia 19 de dezembro.

A passagem do mando e da faixa presidencial ocorre no Salão de Honra do Congresso, onde é tradição, desde que o ditador Augusto Pinochet entregou o poder ao eleito Patricio Aylwin, em 1990.

Enquanto Boric passará a noite anterior em Valparaíso, o atual presidente, Sebastián Piñera, chegará à cidade no tradicional Ford Galaxie, aberto, de onde pode cumprimentar as pessoas. O carro foi um presente da Rainha Elizabeth 2ª, da Inglaterra, e já transportou, além de mandatários, o ditador cubano Fidel Castro, o poeta Pablo Neruda e a primeira-ministra indiana Indira Gandhi.

Entre os diversos chefes de Estado, estarão presentes o rei Felipe 6º, da Espanha, o argentino Alberto Fernández, o equatoriano Guillermo Lasso, o paraguaio Mario Abdo Benítez, o boliviano Luis Arce e o uruguaio Lacalle Pou. O Brasil será representado pelo vice-presidente Hamilton Mourão.

Os ditadores da Nicarágua, Daniel Ortega, da Venezuela, Nicolás Maduro, e do regime cubano, Díaz-Canel, não foram convidados.

Estarão presentes alguns convidados que representam uma esquerda que Boric admira. Um deles é o candidato líder de preferências na Colômbia, Gustavo Petro, o ex-vice-presidente da Bolívia Alvaro García Linera, representantes da Frente Ampla Uruguaia, o espanhol Íñigo Erregon e dissidentes do sandinismo, como os escritores Sergio Ramírez e Gioconda Belli.

A ex-presidente brasileira Dilma Rousseff também está entre os confirmados na lista divulgada pelo cerimonial, bem como o trabalhista britânico Jeremy Corbyn.

Enquanto isso, em Santiago, a casa escolhida pelo presidente eleito para viver com sua companheira, Irina Karamanos, é fonte de atenção e atrai pessoas que querem tirar selfies.

Como o Chile não possui uma residência oficial para o presidente, foi necessário buscar um novo imóvel, uma vez que a casa original de Boric fica em Punta Arenas, no sul do país.

Boric e Karamanos vão morar no bairro central e popular de Yungay, no centro. Uma comuna histórica em que as ruas são empedradas, não asfaltadas, e a maioria das construções data do século 19. É um lugar agitado, com bares, restaurantes e praças. Também há perto dela uma loja de discos de vinil, da qual o presidente eleito já se fez freguês.

O endereço é quase poético, calle Huérfanos (órfãos), entre Libertad e Esperanza.