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m de leitura Atualizado em 10/03/2022, 14:35

Empresa de adubos de MG decide elevar 7 vezes capacidade de produção

PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de março de 2022

MARCELO TOLEDO
AUTOR autor do artigo

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RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - A guerra deflagrada pela Rússia contra a Ucrânia fez a Verde Agritech, empresa com mina e fábrica em São Gotardo, no interior de Minas Gerais, decidir ampliar sua produção de fertilizantes potássicos ainda neste ano.

A empresa fechou 2021 com cerca de 400 mil toneladas produzidas; a ampliação de capacidade prevista para o terceiro trimestre deste ano resultará na produção de até 3 milhões de toneladas anuais.

Uma nova unidade já estava em obras desde o ano passado, mas na última quinta-feira (3) a empresa anunciou a investidores que o conselho administrativo aprovou mais R$ 51 milhões em investimentos na planta, o que deverá fazer com que a produção nela alcance até 2,4 milhões de toneladas.

O Brasil é altamente dependente da importação de fertilizantes e a Rússia é um dos principais fornecedores. Segundo maior produtor de potássio, o país governado por Vladimir Putin tem 19% do mercado global.

Em 2021, o Brasil importou da Rússia 9,3 milhões de toneladas de fertilizantes, 24% mais que as 7,5 milhões de toneladas do ano anterior, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Na última semana, a Rússia recomendou aos fabricantes de fertilizantes do país que suspendessem as exportações devido às sanções ocidentais em retaliação à guerra, o que fez produtores passarem a buscar alternativas.

"De 15% a 20% do fertilizante que o Brasil importa vem da Rússia, tem agora um exercício muito grande para tentar conseguir isso fora da Rússia. É realmente algo preocupante, principalmente para a nossa safra de verão. A segunda safra agora está garantida", disse Marcos Fava Neves, docente da USP (Universidade de São Paulo) especializado em agronegócios.

Segundo ele, o Brasil demorou para enxergar a necessidade de ampliar a produção de fertilizantes e precisa de um plano nacional para o setor, já olhando o cenário para os próximos 15 anos.

"Temos de ampliar [a produção] onde for possível. Por conta da demanda mundial, o Brasil terá de crescer de 15 milhões a 20 milhões de hectares em área plantada em até 15 anos, o que torna fundamental um plano de fertilizantes bem feito", disse.

Atualmente, o Brasil importa 91% do potássio que utiliza e 80% da produção global está concentrada em três países: Canadá, responsável por 32% dos embarques ao Brasil desde 2017, Rússia (26%) e Belarus (18%). Isso significa que, mesmo com a ampliação da fábrica na cidade mineira de 36 mil habitantes, o país seguirá numa forte dependência externa.

De acordo com a Verde Agritech, a produção inicial da nova planta era de até 1,2 milhão de toneladas, mas com o investimento a capacidade irá dobrar.

Em comunicado ao mercado, a empresa informou que o objetivo é financiar o plano de expansão "por meio de uma combinação de fluxo de caixa futuro e financiamento de dívidas lastreado em contratos de vendas futuras".

A operação em São Gotardo não necessita de barragem e o potássio é livre de cloro, diferentemente do cloreto de potássio importado. A fonte da produção é o siltito glauconítico, uma rocha esverdeada.