<p>SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Colômbia viveu nesta quarta-feira (5) seu oitavo dia consecutivo de protestos contra o governo do presidente Iván Duque --que em pronunciamento à nação prometeu ouvir os manifestantes e acusou grupos criminosos de estarem por trás da violência nas ruas.

</p><p>Ao menos 24 pessoas morreram durante os protestos, mais de 800 ficaram feridas e 89 estão desaparecidas, de acordo com a Defensoria Pública

</p><p>Nesta quarta, milhares de pessoas participaram dos atos em Medellín e Cali. Na capital, Bogotá, os manifestantes se encontraram na Praça de Bolívar nos arredores da sede presidencial e um grupo tentou entrar no Congresso, mas foi dispersado pela polícia. Além disso, estradas foram bloqueadas em todo o país e sindicatos têm convocado uma greve geral.

</p><p>O governo afirma que 550 pessoas foram detidas por participarem de saques e de atos de vandalismo . Na madrugada de quarta, alguns manifestantes chegaram a colocar fogo em uma delegacia na qual estavam dez agentes --todos conseguiram escapar.

</p><p>"Não haverá trégua para quem cometeu esses crimes. Toda a sociedade irá levá-los à Justiça", afirmou Duque, que voltou a dizer que grupos ligados ao narcotráfico seriam os responsáveis pela violência.

</p><p>Apesar do discurso duro, no qual prometeu recompensas para quem denunciar os atos de vandalismo, Duque também confirmou que vai abrir um canal de dialógo com a sociedade civil para buscar um consenso que ponha fim à crise.

</p><p>O primeiro encontro aconteceu já nesta quarta, mas sem a presença do presidente --que até o momento tinha se mostrado reticente a negociar com representantes dos manifestantes.

</p><p>Sindicatos e ativistas afirmam que em 2019 Duque também prometeu ouvir as ruas após uma série de protestos, mas que o governo não implementou nenhuma das medidas propostas na ocasião.

</p><p>Os atos contra o governo começaram em 28 de abril como uma manifestação pacífica em repúdio a uma reforma tributária proposta por Duque.

</p><p>Os manifestantes são contra o aumento de impostos e pedem mais medidas de proteção social aos trabalhadores afetados pela pandemia de coronavírus. Desde 2019, o governo Duque, de centro-direita, tenta implementar uma reforma fiscal no país --na época, houve intensos conflitos.

</p><p>Diante da força dos protestos, o líder colombiano recuou e pediu ao Congresso que tirasse o projeto da pauta, prometendo enviar no futuro uma nova versão do texto sem os pontos que desagradam a população. Ainda assim, os protestos não arrefeceram e passaram a incluir também outros temas, como melhoria nas condições de saúde, educação e segurança, além do fim dos abusos policiais contra manifestantes.

</p><p>De acordo com o presidente, o projeto reformulado excluirá tanto o aumento do imposto sobre bens e serviços quanto a ampliação da base de contribuintes do imposto de renda, os pontos mais controversos da lei. A reforma é necessária para "dar estabilidade fiscal ao país, proteger os programas sociais dos mais vulneráveis e gerar condições de crescimento depois dos efeitos provocados pela pandemia", defendeu o presidente, que tem uma popularidade baixa, na casa dos 33%.

</p><p>O presidente também afastou na segunda-feira (3) o ministro das Finanças, Alberto Carrasquilla, que havia redigido o projeto de reforma fiscal, e que será substituído pelo economista José Manuel Restrepo, atual titular da pasta do Comércio. O presidente, porém, vê a demanda por novas demissões ganhar força nas ruas. Manifestantes também querem a saída do ministro da Defesa, Diego Molano e dos generais Luis Fernando Navarro, comandante das Forças Armadas, e Jorge Luis Vargas, diretor da polícia.

</p><p>A tensão na Colômbia também gerou manifestações da ONU, da União Europeia, dos EUA e de ONGs de direitos humanos, que denunciaram na terça (4), o uso desproporcional de força pela polícia para controlar os protestos.</p>

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