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m de leitura Atualizado em 22/02/2022, 14:12

Em 'Chicago', Paulo Szot mostra por que virou uma estrela da Broadway

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

NELSON DE SÁ
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Passando por uma tragédia pessoal, o barítono Paulo Szot subiu ao palco e trouxe ao público de São Paulo a qualidade que fez dele uma estrela na Broadway e em casas de ópera como o Metropolitan, também de Nova York.

É um ator de referência no teatro musical contemporâneo, inclusive --ou principalmente-- para os colegas brasileiros, vivendo o papel hoje histórico do advogado inescrupuloso e cínico de "Chicago", em cartaz no Teatro Santander. É quem explora o teatro da mídia para manipular a Justiça.

"Razzle, Dazzle", ainda que com alguma perda na versão em português, é interpretada por ele como a espetacularização imposta não só ao tribunal do júri, mas a toda a sociedade contemporânea dos Estados Unidos.

Szot não está sozinho nisso. No papel de uma das criminosas tornadas celebridades, Roxie, Carol Costa se estabelece definitivamente. Ela, que vem dando saltos em sua trajetória no teatro musical paulistano -como se viu, por exemplo, em "Hebe, o Musical"--, se impõe agora como bailarina além da cantora qualificada.

Embora sem a altura e as pernas de Ann Reinking, que marcou o papel, seus quadros de dança com o coro são sensuais e precisos. Fisicamente, remete mais a Renée Zellweger, do filme baseado na montagem histórica de 1996. Mas seu alcance é maior.

Já Emanuelle Araújo não explode como Velma Kelly. Faz com competência os diversos números, a começar por "All That Jazz", mas não se deixa arrebatar nem cantando nem dançando, como o personagem pede --e como Bebe Neuwirth fez, em 1996.

É bonita e longilínea, como demanda a coreografia, recriada pela mesma Ann Reinking, a partir de Bob Fosse. Mas é preciso mais do que cumprir movimentos ou cantar no tom, sessão após sessão.

"Chicago" nasceu em 1975, mas foi a remontagem duas décadas depois que firmou o musical de Fosse, John Kander e Fred Ebb como um clássico contemporâneo. Ressurgiu mais conectado com o tempo.

Naquele mesmo ano de 1996, um mês antes, outros dois espetáculos também ajudaram a fazer Nova York, a Broadway e o próprio gênero musical americano renascerem. Eram eles "Bring in 'da Noise, Bring in 'da Funk" e "Rent".

"Chicago", já com seu grande criador morto, falou a uma geração que compreendeu melhor sua desesperança com os Estados Unidos. Sua crítica é implacável e muito contrastante com o nacionalismo atual na sociedade americana, inclusive no teatro.

Crítica que é metaforizada na Justiça e combina bem com o Brasil desta última década --embora a produção local, uma franquia daquela produção de 1996, não faça qualquer esforço para explicitar o vínculo.

*

Chicago

Quando: Qui. e sex., às 21h; sáb., às 17h e 21h; dom., às 15h e 19h. Até 29/5.

Onde: Teatro Santander, av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2.041

Preço: R$ 37,50 até R$ 340

Classificação: 12 anos

Elenco: Emanuelle Araújo, Paulo Szot e Carol Costa

Direção: Tania Nardini

Avaliação: Muito bom