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m de leitura Atualizado em 15/03/2022, 18:41

Eletrobras adia balanço, a 11 dias de prazo para não travar privatização (1)

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de março de 2022

ALEXA SALOMÃO E NICOLA PAMPLONA
AUTOR autor do artigo

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BRASÍLIA, DF, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Eletrobras atrasou a publicação da demonstração financeira do quarto trimestre de 2021, bem como o consolidado do ano. Segundo analistas do mercado financeiro, a estatal teria até o dia 26 de março para cumprir o calendário de apresentação dos resultados sem comprometer o processo de privatização.

Pelo cronograma original, a estatal publicaria o balanço nesta terça-feira (14). No entanto, a apresentação das contas foi adiada para 18 de março. A videoconferência sobre os resultados, por sua vez, foi transferida de 15 para 22 de março.

Em nota ao mercado, a Eletrobras informou que não havia sido possível concluir a revisão das contas e que a data de publicação da demonstração financeira precisou ser alterada.

Quem acompanha os trâmites burocráticos para a venda de ações da companhia, no entanto, afirma que o atraso foi provocado pela greve de funcionários, que paralisou várias unidades do grupo por cerca de 20 dias, entre janeiro e fevereiro, e por uma divergência entre auditores em relação à contabilização da dívida da Usina de Santo Antônio com o BNDES.

Chegou-se a cogitar a republicação do balanço de Santo Antônio, que é ligada a Furnas. Como isso estenderia ainda mais a data de divulgação do balanço consolidado do grupo, optou-se por um adendo no balanço da usina no primeiro trimestre deste ano.

A usina de Santo Antônio é alvo de um processo de arbitragem movido pelo consórcio que a construiu contra os sócios -Furnas, Cemig, Odebrecht, Andrade Gutierrez e um fundo de investimentos gerido pela Caixa Econômica Federal.

Na semana passada, a Cemig informou ao mercado que foi comunicada do resultado da arbitragem, mas ainda precisa avaliar o processo para mensurar os impactos em suas demonstrações contábeis.

Sindicatos ligados à estatal apontam ainda problemas com a usina de Belo Monte, a maior hidrelétrica 100% nacional. Segundo a FNU (Federação Nacional dos Urbanitários), a Eletrobras deixou de reavaliar o valor do ativo, para evitar perdas no balanço que vai balizar a privatização.

A Neoenergia, uma das sócias do projeto fez uma baixa contábil de R$ 482 milhões em seu balanço de 2021, o que a federação vê como "um indicativo mais do que suficiente de que é preciso proceder a reavaliação da parte das empresas do grupo Eletrobras em Belo Monte".

A Eletrobras vendeu sua fatia no projeto para a subsidiária Eletronorte por R$ 1,9 bilhão, em uma operação que prevê aumento de capital nesta última empresa com dinheiro da própria controladora. Caso seguisse o cálculo da Neoenergia, diz a FNU, a estatal deveria reconhecer uma baixa contábil de R$ 2,4 bilhões no ativo.

"Essa baixa entraria como prejuízo e reduziria o lucro da Eletrobras Holding no balanço de referência da privatização", afirma a federação, em nota.

Maior empresa de energia da América Latina, dona ou sócia das mais importantes hidrelétricas do Brasil, a Eletrobras é responsável por um terço da geração de energia do Brasil e quase 44% do sistema de transmissão e corre contra tempo para viabilizar a privatização.

O processo precisa ser concluído ainda no primeiro semestre, antes de a campanha eleitoral entrar na fase decisiva e afastar investidores. A venda foi modelada para ocorrer por meio de capitalização em Bolsa.

Serão emitidas ações e recibos de ações (ADRs), respectivamente no Brasil e Estados Unidos, para reduzir a participação do governo de 72% para 45%. A expectativa é que a operação possa captar R$ 25 bilhões, uma das maiores cifras desse tipo de operação por uma empresa brasileira.