Eduardo Leite cobra apuração no PSDB para não 'manchar prévias', e Doria evita polêmica


CAROLINA LINHARES
CAROLINA LINHARES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No mesmo dia em que apoiadores de Eduardo Leite (PSDB) levantaram a suspeita de fraudes de filiações para beneficiar João Doria (PSDB) nas prévias do PSDB, os dois governadores dividiram o palco em um evento do setor de infraestrutura em São Paulo.

Nesta quinta (21), falando a uma plateia de empresários, os dois governadores mantiveram um discurso parecido, com defesa do liberalismo e de privatizações. Também atacaram o que consideram erros do governo de Jair Bolsonaro na economia, como o drible no teto de gastos.

À imprensa, porém, tiveram posturas distintas em relação a possíveis suspeitas na disputa tucana. Enquanto o governador do Rio Grande do Sul afirmou que elas podem ser graves se comprovadas, o paulista evitou falar do assunto.

"Quem se diz tanto na liderança das prévias não precisa fazer filiação extemporânea", provocou Leite.

"Esse é um tema do PSDB, um tema partidário, não é um tema dos candidatos. Nem do Eduardo Leite e nem meu. E sim do PSDB de São Paulo e do PSDB nacional", disse Doria.

Questionado se eventual comprovação de fraude o prejudicaria, Doria respondeu que "não houve fraude nenhuma, eu desconheço". Depois, completou que não iria "trabalhar sobre suposições".

O gaúcho disse que as regras das prévias devem ser respeitadas. Afirmou ainda que o partido deve apurar o caso antes da data de votação para "que se evite manchar as prévias".

Leite não descartou judicializar a questão se não houver um esclarecimento do episódio.

"Agora é a hora de fazer a apuração. É um fato, houve notícia do jornal, assinatura da ficha, a própria notícia do diretório de São Paulo de que essas filiações estavam acontecendo em meados de julho. E agora surgem essas filiações no sistema como se tivessem acontecido em maio? Coicidentemente antes da data limite para serem votantes nas prévias", disse.

"Se houver comprovação de deliberadamente tiver sido feito esse registro extemporâneo, aí temos uma conduta grave que deverá levar às consequências devidas", completou.

Leite afirmou também acreditar que vencerá as prévias "desde que sejam limpas". O governador gaúcho diz que a primeira explicação dada pelo diretório de São Paulo "não sustenta o que parece ter acontecido".

E voltou a ressaltar que a acusação não pesa sobre Doria, mas sobre o diretório paulista.

Os diretórios do PSDB de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e Ceará apresentaram à direção nacional do partido, nesta quinta-feira (21), uma denúncia de fraude de filiações que interfere nas prévias presidenciais do PSDB, marcadas para 21 de novembro.

Segundo os diretórios, que são aliados do governador Eduardo Leite, o diretório do PSDB de São Paulo comunicou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) datas erradas de filiação de 92 prefeitos e vice-prefeitos para beneficiar o governador João Doria na votação interna.

As regras das prévias estabelecem que só terão direito a voto os tucanos filiados ao partido até 31 de maio segundo o TSE. A lista de prefeitos e vices levantada pelos rivais de Doria mostra que, no sistema interno de filiação do partido, as datas de filiação são de agosto ou setembro, enquanto no TSE aparecem em março e maio.

Os diretórios afirmam que o PSDB paulista propositalmente preencheu o sistema do TSE com datas retroativas. A lista de prefeitos e vices supostamente filiados fora do prazo inclui 65 mandatários que o próprio PSDB de São Paulo anunciou ter filiado em julho, durante um evento presencial.

A acusação anexa ainda reportagens da imprensa que noticiaram tais filiações em julho. Os diretórios que apoiam Leite pedem à direção do PSDB uma averiguação do caso na comissão de ética e pelo Ministério Público, para apurar eventual fraude e falsidade ideológica eleitoral.

O presidente do partido, Bruno Araújo, divulgou nota afirmando que irá apurar a questão e que "pedidos de impugnação são naturais em qualquer processo eleitoral".

A disputa entre Leite e Doria está acirrada, e prefeitos e vices tucanos representam 25% do peso da votação. Também disputa o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio (PSDB).

Leite afirmou em nota que a ação não é dele, mas de um conjunto de diretórios, e nem é contra Doria.

"Lamento que isso esteja acontecendo e espero que não se confirme a suposta fraude. Confio nos encaminhamentos da direção nacional para os esclarecimentos", disse.

Em resposta, o PSDB de São Paulo afirmou que as filiações no estado são regulares. "Muitos desses filiados estão aptos a votar, pois suas filiações são anteriores a 31 de maio; outros não estão, pois foram registrados após essa data, seguindo o regramento das prévias."

Para o diretório paulista, a acusação quer cercear o direito ao voto dos filiados no estado. "O PSDB de São Paulo repudia ilações irresponsáveis que fogem da disputa eleitoral. Que a eleição se decida no voto e não no tapetão", diz a nota.

"A legislação não obriga que a filiação seja lançada no sistema na mesma data em que ocorre. Pelo contrário, o próprio estatuto partidário determina prazos maiores. Anúncios e eventos ocorrem quando oportuno e de acordo com a conveniência política e não necessariamente na data da formalização jurídica da filiação", afirmou o diretório sobre o evento de julho.

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