Economia não deve ter melhora considerável até as eleições, diz Rio Bravo


LEONARDO VIECELI
LEONARDO VIECELI

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A crise política e suas incertezas afugentam investidores e afetam diretamente a economia real no Brasil, indicou nesta segunda-feira (20) relatório mensal da gestora de investimentos Rio Bravo.

A gestora afirma que, em meio à turbulência, a tendência é de crescimento econômico mais fraco e inflação e juros mais altos no país. O quadro, diz a Rio Bravo, deve permanecer até 2022.

"Sem uma perspectiva de melhora real desse cenário político e com a proximidade das eleições de 2022, não deveremos ter uma melhora considerável no cenário macroeconômico até o final do ano que vem", apontou a gestora, que tem o ex-presidente do BC (Banco Central) Gustavo Franco como sócio-fundador.

"A incerteza política traz consigo a incerteza fiscal, que acaba também por afetar as expectativas dos agentes, pressionando a inflação e o juro", acrescentou.

O relatório lembra que a economia brasileira ainda é afetada neste momento pela crise hídrica, que aumenta os custos de geração de energia elétrica e, como consequência, encarece a conta de luz dos consumidores. Outro fator de risco é a escassez global de insumos, um entrave para setores como a indústria automobilística.

Devido a esse contexto, a gestora reduziu suas projeções para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2021 e 2022. Para este ano, a previsão de alta passou de 5,3% para 5%. Para o próximo ano, de 2% para 1,5%. O relatório deixou a porta aberta para novos cortes nos próximos meses.

"Ambos os números possuem viés de baixa, tendo em vista o risco para os próximos trimestres", ressaltou o texto.

Já as projeções da gestora para a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiram de 8% para 8,4% em 2021 e de 4% para 4,3% em 2022.

"Para controlar essa alta nas expectativas de inflação, o Copom [Comitê de Política Monetária do BC] terá que colocar a Selic em um nível também mais alto, demonstrando uma maior preocupação com a aceleração da inflação e com o risco de desancoragem das expectativas para 2023. Assim, esperamos que a Selic suba para 8,25% no final deste ano e para 8,75% em 2022", apontou o relatório.

À reporttagem o economista João Leal, da Rio Bravo, reforçou que não há neste momento sinais consistentes de melhora na crise política e de novos estímulos para a atividade econômica.

"Temos uma junção de fatores negativos, e a crise política é mais um deles", disse Leal.

No cenário externo, a Rio Bravo destacou que os efeitos da variante delta do coronavírus "continuam pesando sobre as expectativas de crescimento global".

"Os números da pandemia no mundo continuam melhorando, mas a variante Delta tem gerado efeitos econômicos mais profundos do que esperávamos inicialmente. Essa expectativa era sustentada na premissa de que os países não fossem adotar lockdowns muito restritivos, cenário que está se confirmando. O fato é que as cadeias de suprimento já estavam com problemas desde o ano passado e agora acumulam mais atrasos com as atuais restrições, principalmente na Ásia", indicou o relatório.

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