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m de leitura Atualizado em 23/02/2022, 16:21

Dólar cai abaixo de R$ 5 e pode ter menor cotação desde junho; entenda

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

CLAYTON CASTELANI
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O real caminhava na tarde desta quarta-feira (23) para encerrar o dia com nova valorização frente ao dólar. Aportes de investidores estrangeiros no mercado brasileiro respondem em grande parte pela queda no câmbio. O Brasil está temporariamente atraente enquanto pairam sobre as principais economias globais incertezas quanto aos impactos inflacionários do conflito entre Rússia e Ucrânia.

Às 15h50, o dólar recuava 1%, a R$ 5. Mais cedo, a moeda americana havia caído a R$ 4,9980. Caso encerre o dia abaixo de R$ 5, será a primeira vez que isso ocorrerá desde 30 de junho, quando a divisa fechou valendo R$ 4,9720, segundo dados da agência CMA.

Desde que atingiu o pico de R$ 5,71 em 5 de janeiro, o dólar já recuou 11,5% até o fechamento do mercado nesta terça.

A Bolsa de Valores brasileira rumava para uma ligeira correção. O Ibovespa recuava 0,32%, a 112.519 pontos. No acumulado de 2022, porém, o índice de referência do mercado acionário local avança mais de 7%.

Investidores estrangeiros que já enxergavam o país como alternativa às baixas nas bolsas de economias desenvolvidas, agora, também podem estar avaliando o Brasil como refúgio de potenciais perdas no mercado da Rússia, uma vez que o país sofrerá sanções econômicas.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou medidas que impedirão o governo russo de fazer transações financeiras envolvendo títulos de sua dívida com empresas americanas e europeias.

Semelhanças entre as duas economias emergentes tendem a reposicionar em direção ao Brasil parte do fluxo de capital que antes iria para a Rússia.

Em uma lista com 24 moedas de países emergentes, o real apresentou o melhor retorno à vista frente ao dólar nesta terça, enquanto o rublo russo ocupou a antepenúltima posição, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O principal índice de ações da Bolsa de Moscou subiu 1,58% nesta terça, mas com isso recuperou apenas uma pequena parte do tombo de 10,5% registrado na véspera.

Os ganhos mais óbvios no mercado brasileiro em meio à crise geopolítica vêm do petróleo, que subia 0,23% no final desta manhã, cotado a US$ 97,06 (R$ 491,17). Além de estar no seu maior nível de preços desde meados de 2014, a commodity poderá romper os US$ 100 neste ano, dizem analistas.

O pacote de atrativos do Brasil a investidores estrangeiros também conta com o real ainda desvalorizado frente ao dólar, ações baratas na Bolsa e, especialmente, uma taxa básica de juros (Selic) muito alta em relação às principais economias globais.

A taxa de juros do Brasil é de 10,75% ao ano, com expectativa de superar 12% ainda em 2022. Como a inflação prevista para o país está na casa de 5,5% para este ano, a diferença entre esses dois indicadores proporciona ganhos elevados com aplicações financeiras.

Nos Estados Unidos, onde a inflação na casa de 7% ao ano é a maior em quatro décadas, os juros permanecem perto de zero e só devem iniciar uma elevação gradual a partir do próximo mês.

Enquanto aguardam condições mais favoráveis no exterior, investidores podem estar tomando crédito barato no exterior para aplicar na Bolsa e no mercado financeiro brasileiro como um todo. É o que no jargão dos negócios costuma ser chamado de "carry trade".

O índice da agência Bloomberg que acompanha esse tipo de negócio aponta alta de 5% neste ano, considerando o movimento global do dinheiro rumo a economias menos desenvolvidas.

O mercado acionário brasileiro acumula saldo positivo no fluxo de capital de investidores estrangeiros acima de R$ 50 bilhões neste ano, segundo dados da B3, a Bolsa de Valores do Brasil.

Situação oposta à do Brasil ocorre no principal centro financeiro do planeta. Os principais indicadores de ações negociadas em Nova York acumulam perdas neste ano.

Nesta terça-feira, o índice S&P 500 atingiu uma baixa de 10% em relação à sua pontuação recorde alcançada em 3 de janeiro deste ano. Quando um indicador recua a partir dessa porcentagem em relação ao seu nível mais alto, ele entra na chamada "zona de correção".

É a primeira vez que o indicador de referência da Bolsa de Nova York entra correção desde fevereiro de 2020, quando notícias de que a Covid resultaria em uma pandemia abalaram os mercados.

"Os investidores estão diminuindo [posições em aplicações de] risco conforme a crise [na Europa] aumenta a incerteza", disse Lindsey Bell, chefe de mercados da Ally Invest. "Os mercados provavelmente estarão no limite nas próximas semanas", comentou, em entrevista ao The Wall Street Journal.

Antes do agravamento das tensões no leste da Europa, o mercado acionário americano já estava em queda devido à expectativa de elevação dos juros.

Com a confirmação de uma ação militar russa na Ucrânia, além da incerteza sobre os rumos do conflito, investidores também voltam os olhos à possibilidade de uma aceleração ainda mais forte da inflação.

Consequentemente, também aumentam as expectativas de uma elevação acima da esperada no custo do crédito, instrumento que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) já avisou que adotará para conter a escalada dos preços.

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6 CAUSAS DA QUEDA DO DÓLAR (E 2 ALERTAS PARA QUEM PENSA EM COMPRAR A MOEDA)

1. Investimentos de estrangeiros no Brasil explicam a baixa no câmbio

Eles buscam alternativas, já que Bolsas nos EUA e na Europa estão em queda neste ano

2. Investidores, principalmente nos EUA, tentam se antecipar à alta dos juros americanos

A subida dos juros nos EUA devem derrubar os preços das ações, por isso eles estão vendendo ações que subiram muito nos últimos anos

3. O Brasil vira opção para esse dinheiro, enquanto os juros nos EUA não sobem

Ações das empresas da Bolsa de Valores brasileira estão baratas; juros altos no Brasil também tornam títulos de renda fixa do Brasil atraentes

4. Estrangeiros tomam empréstimos baratos nos exterior e lucram aqui

A diferença entre as taxas de juros, mais altas no Brasil e mais baixas no exterior, também atrai investidores que não necessariamente venderam suas ações nos EUA

5. Outro grande atrativo brasileiro está no setor de materiais básicos

A retomada das atividades econômicas elevou o preço do petróleo, já que os principais produtores globais se recusam a acelerar a produção

6. Conflito entre Ucrânia e Rússia ajuda a desviar recursos

A crise na Ucrânia pode valorizar ainda mais o preço do petróleo, já que a Rússia, envolvida no conflito, é grande produtora. Sanções à Rússia podem dificultar investimentos e o Brasil é opção no setor de commodities

7. Mas, atenção! Analistas alertam que a situação positiva ao Brasil é momentânea

Há ameaças no horizonte, a principal delas é o chamado risco fiscal, quando há sinais de que o Orçamento não será cumprido; o fato de ser ano eleitoral, o que estimula gastos, acirra o problema

8. O dólar também pode subir quando o exterior voltar a ficar mais atrativo

Assim como entra rapidamente para aproveitar uma oportunidade de ganho, o dinheiro que está em papéis brasileiros também pode sair, se o risco fiscal crescer ou se os ganhos lá fora crescerem