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m de leitura Atualizado em 22/02/2022, 19:23

Dólar cai a R$ 5,05 com Brasil mais atrativo após Rússia mandar tropas à Ucrânia

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

CLAYTON CASTELANI
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dia após a decisão da Rússia de mandar tropas para a Ucrânia ter provocado uma baixa na Bolsa de Valores do Brasil, o mesmo cenário de potencial guerra na Europa resultou em forte recuperação do mercado acionário brasileiro.

O Ibovespa subiu 1,04% nesta terça-feira (22), a 112.891 pontos. Na véspera, o índice de referência da Bolsa havia caído 1,02%. Na ocasião, o tombo se consolidou no final da tarde, logo após o presidente russo Vladimir Putin ter anunciado o seu passo decisivo na rota de conflito com o país vizinho.

Ameaças de guerra não abalaram a trajetória de valorização do real frente ao dólar. A moeda americana caiu 1,05% nesta terça, a R$ 5,0510. É a menor cotação desde 1º de julho de 2021 (R$ 5,0450). Desde o pico da taxa de câmbio neste ano, quando atingiu R$ 5,71 em 5 de janeiro, o dólar já desabou 11,5%.

Investidores que já enxergavam o país como alternativa às baixas nas bolsas de economias desenvolvidas, agora, também podem estar avaliando o Brasil como refúgio de potenciais perdas no mercado da Rússia, uma vez que o país sofrerá sanções econômicas.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou medidas que impedirão o governo russo de fazer transações financeiras envolvendo títulos de sua dívida com empresas americanas e europeias.

Semelhanças entre as duas economias emergentes tendem a reposicionar em direção ao Brasil parte do fluxo de capital que antes iria para a Rússia , segundo Pietra Guerra, especialista de ações da Clear Corretora.

"Seríamos alternativa para a retirada de capital da Rússia", disse Guerra. "Pela exposição às commodities [ambos são produtores de petróleo, por exemplo] e alguma similaridade no nível de desenvolvimento econômico", comentou.

Os ganhos mais óbvios no mercado brasileiro em meio à crise geopolítica vêm do petróleo, que subia 1,14% no final da tarde, cotado a US$ 96,48 (R$ 488,23). Além de estar no seu maior nível de preços desde meados de 2014, a commodity poderá romper os US$ 100 neste ano, dizem analistas.

Existe, porém, uma trava evitando uma maior aceleração do preço. Avanços nas negociações entre o Ocidente e o Irã sobre programa nuclear iraniano podem colocar o país de volta no mercado de petróleo, segundo a agência Bloomberg. Caso isso ocorra, o aumento da oferta poderá desvalorizar a matéria-prima.

As ações da Petrobras recuaram 0,32%. Neste ano, no entanto, os papéis mais negociados da petroleira estatal já subiram quase 19%.

Mas não são apenas as commodities que mantêm o Brasil em evidência. O pacote de atrativos também considera um real ainda desvalorizado frente ao dólar, ações baratas na Bolsa e, especialmente, uma taxa básica de juros (Selic) muito alta em relação às principais economias globais.

A taxa de juros do Brasil é de 10,75% ao ano, com expectativa de superar 12% ainda em 2022. Como a inflação prevista para o país está na casa de 5,5% para este ano, a diferença entre esses dois indicadores proporciona ganhos elevados com aplicações financeiras.

Nos Estados Unidos, onde a inflação na casa de 7% ao ano é a maior em quatro décadas, os juros permanecem perto de zero e só devem iniciar uma elevação gradual a partir do próximo mês.

Enquanto aguardam condições mais favoráveis no exterior, investidores podem estar tomando crédito barato no exterior para aplicar na Bolsa e no mercado financeiro brasileiro como um todo. É o que no jargão dos negócios costuma ser chamado de "carry trade".

O índice da agência Bloomberg que acompanha esse tipo de negócio aponta alta de 5% neste ano, considerando o movimento global do dinheiro rumo a economias menos desenvolvidas.

O mercado acionário brasileiro acumula saldo positivo no fluxo de capital de investidores estrangeiros acima de R$ 50 bilhões neste ano, segundo dados da B3, a Bolsa de Valores do Brasil.

Outras economias em desenvolvimento também estão se beneficiando. Nesta terça, enquanto as principais bolsas fecharam no vermelho, houve altas no México (1,11%) e na Argentina (0,46%), por exemplo.

Nos Estados Unidos, os principais indicadores tiveram baixas consideráveis. Referência do mercado americano, o S&P 500 cedeu 1,01%. O indicador da bolsa de tecnologia Nasdaq perdeu 1,23%. O Dow Jones, índice que reúne as empresas de maior valor com ações negociadas em Nova York, desabou 1,42%.