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m de leitura Atualizado em 28/02/2022, 18:15

Diretor do Ipen é exonerado, e associação diz que governo desrespeitou convênio com SP

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

NATHALIA GARCIA
AUTOR autor do artigo

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) afirmou nesta segunda-feira (28) que a exoneração do diretor do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações desrespeitou regras e surpreendeu a comunidade científica.

Segundo a entidade, a decisão do órgão foi unilateral, ignorando o convênio com o governo do Estado de São Paulo. A exoneração de Wilson Aparecido Parejo Calvo foi publicada no Diário Oficial da União na sexta-feira (25), com data de 8 de fevereiro.

O Ipen é uma unidade técnico-científica da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e, de acordo com a SBPC, devido ao convênio firmado para a gestão da autarquia, decisões referentes ao cargo de superintendente devem passar por avaliação do Conselho Superior do Instituto. Este, por sua vez, não estava ciente da exoneração de Calvo.

O Conselho é formado por dois membros da USP (Universidade de São Paulo), um da SDE (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo de São Paulo), à qual o Ipen está vinculado, um representante da FIESP e dois membros da CNEN.

"A principal razão é que Calvo estaria sendo pressionado por defender a radiofarmácia pública hoje instalada no IPEN", afirmou a entidade, em nota.

"Ele se posicionou contrariamente à PEC 217/2010 da forma que ela está proposta, referente à quebra do monopólio da União no que diz respeito à produção de radioisótopos e radiofármacos de meia-vida longa, alertando para a necessidade de se manter a radiofarmácia pública para garantir atendimento a pacientes do sistema público", continuou.

"A SBPC lamenta mais este episódio contrário ao interesse público e conclama o MCTI pela revogação da exoneração e que haja diálogo com todos os envolvidos na gestão da área estratégica da produção de radiofármacos", disse.

A reportagem entrou em contato com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e com o governo do Estado de São Paulo, mas não obteve retorno até a última atualização desta publicação.