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m de leitura Atualizado em 21/01/2022, 12:51

Deltan recebe R$ 191 mil de férias ao se desligar do Ministério Público

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

VINICIUS KONCHINSKI E FELIPE BÄCHTOLD
AUTOR autor do artigo

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CURITIBA, PR, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-chefe da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol recebeu em dezembro um pagamento de R$ 191 mil do Ministério Público Federal de indenizações por férias.

Segundo o ex-procurador, o valor se refere a férias não gozadas no período em que chefiou a equipe da operação em Curitiba.

Deltan, 42, anunciou seu desligamento do Ministério Público no dia 4 de novembro e, no mês seguinte, se filiou ao partido Podemos, pelo qual disputará cargo público nas eleições deste ano.

À reportagem o procurador afirmou que, "em razão das exigências do trabalho na Operação Lava Jato", precisou acumular períodos de férias que foram usufruídos após sua saída da força-tarefa, em 2020, "compatibilizando as suas férias com as de outros colegas e as necessidades do trabalho".

Na época da exoneração, no entanto, ele ainda estava com períodos antigos acumulados, que seriam gastos em 2022.

"Férias não gozadas devem ser, por força de lei, indenizadas", disse o ex-procurador.

Questionada, a Procuradoria da República no Paraná afirmou que os pagamentos são de natureza pessoal e que não seria possível dar detalhes "além do que já é disponibilizado regularmente no Portal da Transparência, em conformidade com a legislação".

Ao longo de 2021, o ex-procurador já havia tirado um total de 50 dias de férias, divididos em cinco partes. Segundo ele, isso evitou o afastamento por longos períodos e se adequou a necessidades do trabalho da Procuradoria.

Membros do Ministério Público Federal têm direito a 60 dias de férias por ano, assim como também ocorre com magistrados.

O salário do ex-chefe da Lava Jato na instituição era de R$ 34 mil brutos.

Em dezembro, ele também recebeu outros R$ 17 mil a título de décimo terceiro, a gratificação natalina.

No último dia 30, o ex-procurador anunciou em rede social que passou a ser remunerado pelo Podemos, com salário de R$ 15 mil. O ex-juiz Sergio Moro, pré-candidato a presidente, também recebe remuneração da legenda.

Deltan ganhou o cargo de vice-presidente estadual da agremiação, no qual tem a tarefa de "aprimorar os quadros da política", mas afirma que, nas conversas sobre a filiação, não pediu funções a nenhum partido.

Em rede social, ele disse que o valor, ao fim de um ano, corresponderá "a cerca de metade" do total líquido que recebeu como procurador em 2020.

"Ao sair do Ministério Público, abri mão de um salário maior, da estabilidade e da aposentadoria para seguir servindo a sociedade onde acredito que minha contribuição pode ser maior hoje em dia: o ambiente político."

Após a exoneração, o ex-procurador da Lava Jato também divulgou nas redes a abertura de um curso online pago sobre combate à corrupção. Ele provavelmente vai se candidatar a deputado federal pelo Paraná neste ano.