Defesa alega perseguição a Trump e diz que convocação à luta foi 'retórica política'
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
Marina Dias - Folhapress 
Washington - Após 12 horas de acusação, marcadas por vídeos inéditos e uma narrativa emocional do ataque ao Capitólio, foi a vez da defesa de Donald Trump entrar em campo nesta sexta-feira (12). No quarto dia do julgamento de impeachment do ex-presidente, seus advogados sustentaram que o republicano é vítima de perseguição política e não foi responsável por incitar a invasão ao Congresso. Segundo eles, o julgamento no Senado representa "a cultura do cancelamento constitucional."

Em uma apresentação de pouco mais de três horas, a defesa tentou conferir novo significado às palavras de Trump, classificando a acusação de "mentira absurda e monstruosa", sob a tese de que o discurso do ex-presidente - pedindo que apoiadores "lutassem como nunca" em 6 de janeiro- faz parte de uma retórica política comum, usada inclusive por democratas, e protegida pelo direito à liberdade de expressão.
"[Falar em lutar] É retórica política, linguagem usada por políticos em todo o mundo, por centenas de anos", disse Bruce Castor, um dos defensores de Trump. "Esse julgamento envolve muito mais do que Donald Trump, é sobre silenciar o discurso com o qual a maioria não concorda, cancelar os 75 milhões de votos que ele teve, e criminalizar pontos de vista políticos."
O advogado Michael Van Der Veen, que usou a expressão sobre a cultura do cancelamento - nome dado às reações negativas nas redes sociais - para se referir ao processo, seguiu a mesma linha: "Historicamente vamos lembrar desse esforço vergonhoso como uma tentativa deliberada do Partido Democrata de difamar, censurar e cancelar não apenas o presidente Donald Trump, mas os 75 milhões de americanos que votaram nele."
Para corroborar seus argumentos, os advogados lançaram mão de recursos incendiários, como é habitual da postura do ex-presidente. Exibiram um vídeo de dez minutos, com imagens editadas e descontextualizadas, de políticos democratas usando linguagem combativa e variações da expressão "é preciso lutar".
Em uma das passagens, a senadora democrata Elizabeth Warren, que estava no plenário do Senado nesta sexta, apareceu discursando na Marcha das Mulheres, em 2017. "Temos que lutar de volta", afirmava.


