Defensoria cobra respostas sobre suposta atuação abusiva da polícia na cracolândia
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022
MÔNICA BERGAMO 
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Defensoria Pública de São Paulo pediu que a Polícia Civil, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo se manifestem em dez dias sobre suposta atuação abusiva praticada por agentes policiais na região da cracolândia, na capital paulista.
O episódio teria ocorrido no dia 10 deste mês, durante nova fase da Operação Caronte da Polícia Civil na região central da cidade. A corporação nega excessos e diz que todos os 12 traficantes de drogas previamente identificados durante trabalho de inteligência e que acabaram presos em flagrante tiveram suas prisões transformadas em preventivas pela Justiça, com anuência do Ministério Público.
Imagens feitas durante a abordagem mostram agentes apontando armas para dezenas de usuários de drogas e efetuando disparos a esmo enquanto eles eram obrigados a ficar sentados no chão.
"As imagens evidenciam o emprego de violência contra pessoas desarmadas e que, repita-se, estavam sentadas e desarmadas", afirma a Defensoria. De acordo com o órgão, a operação teve como resultado a apreensão de pequenas quantidades de drogas e de R$ 10 mil.
Os ofícios encaminhados à secretaria e às policias questionam qual a finalidade da operação na cracolândia, quais agentes participaram da abordagem, qual a justificativa para o disparo de balas de borracha e se houve pessoas feridas na ocorrência.
Procurada pela reportagem, a Polícia Civil diz que foi notificada pela Defensoria e, "como de praxe, responderá o ofício enviado pela Defensoria Pública dentro do prazo estipulado". A corporação ainda destaca que não houve qualquer intercorrência com usuários ou qualquer registro de feridos.
"Ao longo das cinco fases da 'Operação Caronte', 63 criminosos envolvidos com o tráfico de entorpecentes foram presos e todos eles permanecem encarcerados por decisão da Justiça, o que demonstra a pertinência do trabalho policial, que é reconhecido pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário", afirma em nota, por meio da Secretaria de Segurança Publicação. Já a Secretaria Municipal de Segurança Urbana e a GCM não responderam.


