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m de leitura Atualizado em 22/03/2022, 07:59

Cracolândia fica deserta após usuários se espalharem pelo centro de São Paulo

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de março de 2022

MARIANA ZYLBERKAN
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As ruas no entorno da praça Júlio Prestes, na região central de São Paulo, conhecidas como cracolândia pela concentração rotineira de usuários de drogas, estão desertas ao menos desde o último final de semana.

Na noite desta segunda-feira (21), imagens das câmeras de segurança da prefeitura mostravam moradores de prédios cantando e comemorando na praça da rua Cleveland, antes tomada por barracas de traficantes. Caminhões da prefeitura jogavam jatos de água para fazer a limpeza da via.

De acordo com a Polícia Civil, a dispersão ocorreu na noite da última quinta-feira (17) após determinação do crime organizado para que as pessoas deixassem o local.

Não houve nenhum tipo de negociação com o crime organizado", diz o secretário-executivo municipal de Projetos Estratégicos, Alexis Vargas.

Moradores do entorno relataram que a desocupação das alamedas Helvetia e Cleveland se deu de maneira pacífica, sem indício de violência.

Segundo o secretário, a saída do tráfico ocorreu devido a detenções feitas desde junho do ano passado, quando foi deflagrada a operação Caronte na cracolândia. Segundo a Polícia Civil, 92 pessoas foram presas sob suspeita de tráfico de drogas até o momento. "As prisões ocorreram em todos os níveis do tráfico. Ficou mais difícil chegar droga na cracolândia e os preços subiram", diz o secretário Vargas.

A operação Caronte contabilizou ao menos 30 barracas de traficantes em funcionamento na cracolândia. Por dia, os serviços de limpeza da prefeitura retiravam cerca de 5 toneladas de lixo das ruas.

A saída do tráfico do entorno da estação da Luz ocorre a poucos dias da inauguração do hospital estadual Pérola Byington, na alameda Glete. No último sábado (19), o governador João Doria (PSDB) esteve no local para anunciar a abertura do edital que irá escolher a organização social responsável por gerir o hospital.

Segundo a prefeitura, cerca de 500 pessoas circulavam por dia na região da cracolândia até a semana passada. Esse grupo, agora, está disperso pelo centro da cidade, onde os usuários de drogas tentam encontrar um novo ponto para instalar o fluxo.

Houve tentativa de ocupação do largo do General Osório e da praça Júlio Mesquita, na Santa Efigênia, segundo o secretário Vargas. "Estamos atentos a essas movimentações para coibi-las", diz sobre o aumento do efetivo da GCM (Guarda Civil Metropolitana) na região central.

Além das prisões, a administração municipal deflagrou uma série de ações de despejo dos hotéis da cracolândia nos últimos meses.

Parte das pessoas que ocupavam esses imóveis que custam em média R$ 30 a noite se alojou na praça Princesa Isabel, em Campos Elíseos, a poucos metros de onde funcionava o fluxo de usuários de drogas.

ara o engenheiro João Carlos, 41, morador de um dos conjuntos populares recém-construídos no entorno da cracolândia, há receio de que possa haver um aumento de depredação e roubos na região. "A cracolândia não acabou. Não foi dada uma solução para o problema, apenas mudou de lugar", diz ele, que preferiu não informar o sobrenome.

O engenheiro conta que há vizinhos que nunca conseguiram abrir a janela do apartamento desde que se mudaram para lá. "O cheiro da droga era muito forte e, agora, conseguem respirar ar fresco", afirma ele, que considera não ser uma solução definitiva.

O secretário Vargas também afirma que não se trata do fim da cracolândia, mas de "uma importante batalha vencida".

O fim da cracolândia chegou a ser anunciado pelo então prefeito de São Paulo João Doria (PSDB), em maio de 2017, após ação policial que desmantelou a feira de drogas que ocorria a céu aberto.

Os usuários de drogas passaram alguns dias aglomerados na praça Princesa Isabel e voltaram a ocupar as ruas no entorno da estação da Luz logo depois.