CPI aprova requerimento para saber quantas vezes lobista esteve no Senado


RENATO MACHADO
RENATO MACHADO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Os senadores da CPI da Covid aprovaram requerimento para obter, da polícia legislativa, informações relativas a eventuais visitas do lobista Marconny Albernaz de Faria ao Senado.

Os membros do colegiado querem saber quantas vezes Marconny esteve no Senado, a qual gabinete foi e quem autorizou a sua entrada.

Em mensagem de texto obtida pela CPI, na qual trata da negociação de testes para detectar Covid-19, Marconny teria respondido que iria falar com um senador que poderia "desatar o nó".

"Não sei quem é, não conheço", respondeu à CPI, quando questionado quem seria o senador citado na mensagem, e irritando os membros da comissão.

RENAN BOLSONARO

O lobista Marconny Albernaz de Faria afirmou que mantém uma relação de amizade com Jair Renan Bolsonaro, filho do presidente da República Jair Bolsonaro. E também confirmou que o auxiliou na abertura de sua empresa.

Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou troca de mensagens de WhatsApp entre Marconny e o filho do presidente, na qual tratam da abertura da empresa.

"Bora resolver as questões dos seus contratos!! Se preocupe com isso. Como te falei, eu e o William estamos a sua disposição para ajudar te ajudar", disse o lobista na mensagem, ao que Renan responde:

"Show irmão. Eu vou organizar com Allan a gente se encontrar e organizar tudo", afirmou o filho do presidente.

Marconny disse à CPI que conheceu Renan por meio de amigos comuns, assim que o filho do presidente chegou a Brasília.

"Ele queria criar uma empresa de influencer e aí eu só apresentei ele para um colega tributarista que poderia auxiliar na abertura dessa empresa", afirmou em seu depoimento à comissão.

Além disso, ele negou que tivesse relação e negócios com a mãe de Jair Renan, Ana Cristina Valle. Marconny disse que a conheceu apenas quando apresentada pelo filho.

Marconny também reconheceu que chegou a comemorar o seu aniversário em um camarote no estádio Mané Garrincha, em Brasília, de propriedade de Jair Renan Bolsonaro.

PRECISA MEDICAMENTOS

O lobista Marconny Albernaz de Faria negou que tenha atuado para prejudicar outras empresas em licitação para a compra de testes para detectar a Covid-19.

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), em seguida afirma ter informações de que houve atuação do depoente para fraudar a licitação para a compra dos equipamentos e questiona de quem partiu essa "arquitetura" de atuação. Ao que Marconny afirma que saiu da "parte técnica da Precisa".

"As informações que nós temos demonstram que Marconny atuou para fraudar licitação da compra de testes de detecção da Covid, em associação com [sócio-diretor da Precisa] Francisco Maximiano, [diretor da Precisa] Danilo Trento e [ex-diretor de logística do Ministério da Saúde] Roberto Dias", afirmou o relator, antes de questionar:

"Essa arquitetura é da sua cabeça, da cabeça do Maximiano ou da cabeça do Roberto Dias?", perguntou.

"Isso foi enviado pela parte técnica da Precisa, senhor senador".

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