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m de leitura Atualizado em 15/03/2022, 19:02

Covid na China e guerra derrubam petróleo abaixo de US$ 100 e afundam Bolsas

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terça-feira, 15 de março de 2022


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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nesta terça-feira (15), empresas da China continental listadas na Bolsa de Hong Kong atingiram os menores patamares desde 2008, afundando as ações chinesas para mínimas em 21 meses.

O desempenho sucede o aumento de casos de Covid-19, que ameaça as perspectivas para a segunda maior economia do mundo e reacende o temor de novos gargalos na cadeia de suprimentos global.

Segundo analistas ouvidos pela agência Reuters, a crise na Ucrânia também pesava no sentimento, ressuscitando temores sobre o aumento das diferenças entre Pequim e Washington. Nesta semana, os Estados Unidos levantaram preocupações sobre o alinhamento da China com a Rússia, levando investidores globais a abandonar ações chinesas listadas no exterior.

Se os americanos estão sugerindo que há um risco de que a China agora apoie a Rússia, então a mensagem é "ou você está conosco ou contra nós", disse, ao Financial Times, um administrador de uma gestora de ativos de Hong Kong, acrescentando que "tem sido um trajeto difícil [para] os mercados já nesta semana".

A frustração do mercado com a decisão do banco central do país de não reduzir uma importante taxa de juros também entra na equação. A maioria dos analistas esperava um corte de 0,1 ponto percentual na taxa MLF, instrumento de empréstimo de médio prazo para instituições financeiras. No entanto, o Banco do Povo da China disse que irá manter os juros em 2,85%.

"Com as perspectivas de curto prazo escurecendo em várias frentes, achamos que é apenas questão de tempo para que [o banco central] retome seus cortes nas taxas", disse, ao Financial Times, Julian Evans-Pritchard, economista sênior para a China na consultoria Capital Economics, que espera que o banco central reduza as taxas em 0,2 ponto percentual no primeiro semestre deste ano.

Com isso, as ações na China caíram 5% nesta terça-feira (15), levando as perdas anuais para perto de 20%.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 4,6%, para mínima desde 15 de junho de 2020, enquanto o índice de Xangai teve queda de 5%. Já o índice Hang Seng de Hong Kong caiu 5,7%, para mínima desde 12 de fevereiro de 2016, com o China Enterprises Index perdendo 6,6%, chegando ao menor nível desde 29 de outubro de 2008.

No Twitter, analistas de mercado falavam em carnificina, apontando que as ações chinesas listadas em Hong Kong tiveram seu pior dia desde a crise financeira global.

O novo surto de Covid também tem levantado preocupações sobre os custos econômicos das medidas de contenção da doença. O temor recai sobre a perspectivas de crescimento da China, ajudando a abalar o ânimo dos mercados.

BOLSA BRASILEIRA TAMBÉM RECUA

Seguindo a tendência global de preocupação com a guerra e com a situação chinesa, a Bolsa de Valores brasileira voltou a operar no campo negativo nesta terça.

Por volta das 11h50, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado local, recuava 1,14%, aos 108.673 pontos. No mesmo horário, o dólar oscilava em alta de 0,21% frente ao real, cotado a R$ 5,1300 para venda.

"Apesar dos dados de fevereiro [da economia chinesa] terem superado em muito as expectativas, cresce o receio com o futuro da economia chinesa frente ao salto do número de casos de Ômicron e consequente reintrodução de lockdowns em regiões populosas em função da política de "zero casos" de Pequim", aponta a equipe de análise da Guide Investimentos, em relatório.

PETRÓLEO CAI ABAIXO DOS US$ 100

O aumento dos casos de Covid-19 ajudaram a derrubar o preço do petróleo, com a perspectiva de um esfriamento na demanda global. Os contratos futuros da commodity operaram abaixo de US$ 100 o barril nesta terça-feira.

As negociações de cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia também diminuíram os temores de mais interrupções no fornecimento.

Por volta das 8h30, o barril do petróleo Brent caía cerca de 8%, operando próximo a US$ 98, enquanto a commodity negociada nos EUA era cotada a US$ 94,30, com recuo de mais de 8%.

Ambos os contratos já tinham caído mais de 5% no dia anterior.

PREÇOS DO MINÉRIO DE FERRO CAEM DEVIDO AO SURTO DE COVID

Assim como aconteceu com o petróleo, os contratos futuros de minério de ferro negociados nas bolsas de Dalian e Cingapura caíram nesta terça-feira.

O impacto do surto de Covid na China —maior produtora de aço do mundo— se soma às preocupações dos traders com as consequências do conflito Rússia-Ucrânia.

Produtos siderúrgicos e outras matérias-primas também caíram. Os preços, no entanto, reduziram as perdas após a divulgação de indicadores econômicos chineses melhores do que o esperado, incluindo um aumento anual de 7,5% na produção industrial em janeiro a fevereiro.

O minério de ferro mais negociado encerrou as negociações diurnas em queda de 4,6%, a 756 iuanes (US$ 118,48) a tonelada, depois de atingir 742 iuanes no início da sessão. Na Bolsa de Cingapura, o contrato de abril do ingrediente siderúrgico caía mais de 6%, a US$ 137,65 dólares, por volta das 9h (horário de Brasília).

ONDA DE COVID PODE ATRAPALHAR CADEIAS GLOBAIS

O aumento nas infecções registradas na China deve comprometer ainda mais as já desgastadas cadeias de suprimentos globais. Segundo o New York Times, autoridades chinesas estão impondo restrições a moradores, fechando fábricas e interrompendo o tráfego de caminhões.

O país adotou uma abordagem de tolerância zero, que estabelece bloqueios rigorosos e testes em massa. Como várias das maiores cidades industriais do país estão lutando contra surtos, essas medidas estão afetando as fábricas e as redes de transporte chinesas.

De acordo com o jornal americano, as medidas sanitárias estão interrompendo a produção de produtos acabados, como carros Toyota e Volkswagen, além de componentes como placas de circuito e cabos de computador.

Além disso, os custos de frete internacional, problema que contribuiu para a inflação global no ano passado, começaram a subir novamente. Navios estão enfrentando atrasos de pelo menos 12 horas nos portos chineses e poderão ter que esperar até duas semanas para sair.

Nesta segunda, a empresa gigante taiwanesa de eletrônica Foxconn, um dos principais fornecedores da Apple, suspendeu suas operações no centro tecnológico na cidade de Shenzhen, que foi confinada pelo governo chinês devido a uma nova onda de contaminação por Covid-19.

No entanto, analistas do banco JPMorgan disseram que a produção de iPhones não deve sofrer grandes implicações.

"Acreditamos que o impacto do bloqueio de Shenzhen na produção do iPhone deve ser limitado (aproximadamente 10%, no máximo, da produção global do iPhone), devido à baixa temporada e à pequena exposição da produção à Shenzhen", escreveu o analista Gokul Hariharan em relatório na segunda-feira.

Segundo o JPMorgan, a região de Shenzhen representa menos de 20% da capacidade total de produção do iPhone pela Foxconn, com a grande maioria das linhas de montagem localizadas em Zhengzhou, um centro industrial e de transporte.

O banco não projeta um novo movimento de formação de estoques em todo o setor devido a essas suspensões de produção, mas alerta que lockdowns na região de Xangai podem ser mais críticos.

O lockdown em Shenzhen, o Vale do Silício da China, também não terá um grande impacto na produção de semicondutores, disse o banco, embora ressalte que o fornecimento global de painéis LCD pode ser prejudicado.

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Colaborou Lucas Bombana