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m de leitura Atualizado em 09/03/2022, 22:32

Conselheiro de Lula, Amorim endurece tom contra Putin e chama guerra de erro

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de março de 2022

FÁBIO ZANINI
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Principal conselheiro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre política externa, o ex-chanceler Celso Amorim condenou de forma clara a invasão da Ucrânia pela Rússia em live a canais de esquerda nesta quarta (9), chamando-a de "erro" e dizendo que não tem justificativa.

As declarações representam uma mudança quanto à reação inicial do PT à guerra, em que fez apenas apelos pela paz, sem repudiar de forma direta a invasão.

"Sou contra o uso unilateral pela força. Não posso condenar a invasão dos EUA pelo Iraque e aceitar outra invasão", afirmou. "Essa é a ideia básica da ONU, de que a guerra não pode ser a maneira de buscar mudança nas relações internacionais".

Nos dias iniciais da guerra, lideranças do PT e de outras legendas de esquerda colocaram grande parte da responsabilidade pelo conflito na Otan, aliança militar do Ocidente, e nos EUA.

Desde então, no entanto, as imagens de destruição na Ucrânia geraram um forte sentimento de empatia na comunidade internacional com o país invadido, e de repulsa com relação à Rússia. Além disso, sanções internacionais numa escala inédita isolaram o regime de Vladimir Putin.

Na live, Amorim disse que as preocupações da Rússia com relação à expansão da Otan e a segurança de comunidades pró-Moscou na Ucrânia são legítimas, mas não podem ser usadas como argumento para apoiar a guerra.

Ele afirmou que Putin não agiu de forma racional ao ordenar a invasão. "Sempre admirei o Putin como grande jogador de xadrez. Mas uma coisa que não se pode permitir é se deixar levar pela emoção. No caso da Ucrânia, a emoção pesou um pouco", afirmou o ex-chanceler.

Amorim afirmou ainda que não se pode citar como precedente ações militares dos EUA, como tem feito parte da esquerda. "Não dá para justificar dizendo que os EUA fizeram 20 vezes. Mas fizeram 20 vezes errado".

Segundo ele, chancelar a invasão russa criaria um precedente perigoso. "Hoje é a Rússia na Ucrânia, amanhã podem ser os EUA na Venezuela. Você tem que lidar com princípios do direito internacional com muito cuidado", afirmou.